Por Fabio Barretto
foto: agência Extra
Curiosamente, ou coincidentemente, as vésperas das últimas eleições
fizeram propostas, subiram nos palanques, acenderam os holofotes,
promoveram operações, criaram expectativas, traçaram planos, disseram
que queriam salvar essas pessoas e agora, passada as eleições, o que
estamos vendo é o aumento do problema.
Nos parece, numa primeira leitura
que fizeram campanha política em cima de pessoas necessitadas. Me
parece que usaram essas pessoas como foco eleitoreiro.
Infelizmente, as
pessoas que estavam em outras favelas ocupadas pela polícia migraram
para essas regiões e a sensação que fica é a total impotência do poder
público para resolver o problema do crack, que não é só um problema de
saúde pública, também é um problema da polícia que não faz nenhuma
grande apreensão da droga.
O nosso papel aqui é cobrar e o que vemos é a
repetição do problema. 40 vagas para internação desses necessitados é
muito pouco. A prefeitura precisa fazer mais.
Esses necessitados que
sustentam traficantes se arriscam pela Avenida Brasil como verdadeiros
suicidas espalhando medo para motoristas e pedestres.
Então, o poder
público trata essas pessoas como incômodo e faz delas um entulho jogado
ao relento. Essas pessoas estão se suicidando na nossa frente com a
cumplicidade das autoridades. Essas pessoas perdem a razão, perdem o
equilibrio, a sensatez.
É uma vergonha para a cidade do Rio de Janeiro a
divulgação de fotos e imagens onde pessoas aparecem como zumbis e
mortos vivos dentro de um flagelo absolutamente impune.
Serei
repetitivo: não basta tirar o dependente químico da rua e levá-lo para
um depósito de gente. Para recuperar uma pessoa que nunca recebeu um
abraço, que não conhece um carinho, um gesto de solidariedade é preciso
estímulo.
Se a prefeitura quiser, verdadeiramente, tratar essas pessoas
com paciência, amor e profissionais capacitados, a gente aqui compra a
briga e dá apoio irrestrito. Do contrário, não.
A proposta tem que ser
muito além do que foi feito até agora. Essas pessoas, além da cura,
precisam de oportunidade.
Essas pessoas precisam de estudo e emprego
após o tratamento para que elas não fiquem osciosas e não tenham
recaídas.
Essas pessoas precisam se reintegrar à sociedade, seja na
internação compulsória ou não.
Não adianta recolher essas pessoas e
jogá-las em depósitos de gente. Dinheiro não falta, o que falta é
vontade.