Operação 'Ptolomeu III' mira cúpula do governo estadual; g1 tenta contato com alvos.
Ação envolve PF, PGR, Receita e CGU; mandados são cumpridos em AC, AM, GO, PI, PR, RO e no DF.
Por Fábio Amato e Bruno Tavares, TV Globo — Brasília e São Paulo
Governador do Acre, Gladson Cameli, em imagem de janeiro — Foto: Diego Gurgel/Secom.
Policiais federais começaram a cumprir nesta quinta-feira (9) 89 mandados de busca e apreensão em seis estados e no Distrito Federal em uma operação contra corrupção e lavagem de dinheiro na cúpula do governo do Acre.
A ação é uma nova fase da operação Ptolomeu, iniciada em 2021 e que investiga, entre outros, o governador do Acre, Gladson Cameli (PP) (veja detalhes abaixo).
Os mandados foram autorizados pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A operação, intitulada "Ptolomeu III", foi deflagrada a partir de investigações da Polícia Federal, da Procuradoria-Geral da República, da Receita Federal e da Controladoria-Geral da União.
Os nomes dos alvos não foram divulgados.
A TV Globo apurou que Cameli não é alvo direto das buscas desta quinta, mas foi alvo de outras sanções definidas pelo STJ:
- não poderá fazer contato com outros alvos da investigação;
- não poderá deixar o país;
- terá de entregar o passaporte à Justiça em até 24 horas.
O pai de Gladson, Eladio Cameli, e um irmão do governador, Gledson Cameli, também são investigados na operação.
O g1 entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do governo do Acre, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
O STJ determinou o bloqueio de R$ 120 milhões em bens dos investigados, incluindo valores em contas bancárias, aeronaves, casas e apartamentos de luxo.
Segundo a PF, o cumprimento dos mandados envolve mais de 300 policiais federais nesta quinta.
De acordo com material divulgado pela CGU, a operação tenta desarticular uma "organização criminosa especializada em fraudar contratações públicas".
Há suspeita de que recursos da saúde, da educação e do BNDES para obras de infraestrutura e serviços de manutenção tenham sido desviados.
Servidor da CGU e policiais federais fazem busca em apartamento como parte da operação Ptolomeu III — Foto: Polícia Federal/Reprodução.
Os mandados são cumpridos no Acre, no Amazonas, em Goiás, no Piauí, no Paraná, em Rondônia e no Distrito Federal.
No Acre, equipes da PF fizeram buscas em gabinetes da Casa Civil e da Secretaria de Fazenda do estado.
PF faz buscas na Secretaria de Fazenda do AC em operação que investiga Gladson Cameli.
Operação anterior.
Em dezembro de 2021, Cameli já tinha sido alvo da primeira fase da operação.
O político se elegeu governador do Acre em 2018 e foi reeleito para um segundo mandato no ano passado.
Naquele mês, a PF já tinha apreendido mais de R$ 3 milhões em veículos, relógios, joias, celulares e dinheiro vivo (euro, dólar e real).
O apartamento de Cameli também foi alvo de buscas.
Também em 2021, Gladson Cameli afirmou que tinha a consciência "tranquila" e que a polícia estava cumprindo seu papel de apurar denúncias.
"Quem não deve, não teme.
Não devo, não temo e quero que fique até o final, se tiver coisa errada vai para a rua [o servidor] e tem que prestar contas à sociedade, porque é dinheiro público", disse à época.
Relembre no vídeo abaixo a primeira fase da operação, em 2021:
Governador do Acre é alvo de operação da PF.
Ressarcimento aos cofres públicos.
Nesta nova fase, segundo o material divulgado, o objetivo é bloquear bens para, no futuro, ressarcir os cofres públicos.
Além do bloqueio dos itens de luxo, a decisão do STJ que autorizou os mandados suspende as atividades econômicas de 15 empresas investigadas.
O Superior Tribunal de Justiça não definiu prisões dos suspeitos, mas determinou:
- a suspensão do exercício das funções públicas;
- a proibição do acesso a órgãos públicos;
- o impedimento de contato entre os investigados;
- e a proibição de que os alvos deixam o país, o que inclui a entrega do passaporte à PF nas próximas 24 horas.
A PF e a PGR não divulgaram quem são os alvos de cada uma dessas medidas.
A operação tramita em sigilo no STJ.
COMENTÁRIO:
"PF faz buscas na Secretaria de Fazenda do AC em operação que investiga Gladson Cameli.
Operação anterior.
Em dezembro de 2021, Cameli já tinha sido alvo da primeira fase da operação.
O político se elegeu governador do Acre em 2018 e foi reeleito para um segundo mandato no ano passado.
Naquele mês, a PF já tinha apreendido mais de R$ 3 milhões em veículos, relógios, joias, celulares e dinheiro vivo (euro, dólar e real).
O apartamento de Cameli também foi alvo de buscas.
Também em 2021, Gladson Cameli afirmou que tinha a consciência "tranquila" e que a polícia estava cumprindo seu papel de apurar denúncias.
"Quem não deve, não teme.
Não devo, não temo e quero que fique até o final, se tiver coisa errada vai para a rua [o servidor] e tem que prestar contas à sociedade, porque é dinheiro público", disse à época".
Onde há fumaça, há fogo !
Que os órgãos públicos federais façam justiça, caso esse governador e outros seus comparsas, paguem na cadeia, o que devem !
Valter Desiderio Barreto.
Barretos, São Paulo, 09 de março de 2023.
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