PARAUAPEBAS - PARÁ
Localização
Parauapebas está localizada no sudoeste do Estado do Pará, a 645 km da
capital Belém.
Com cerca de 100 mil habitantes, a cidade é composta por
pessoas vindas de diferentes partes do Brasil.
São maranhenses, goianos,
tocantinenses, mineiros, gaúchos, paulistas, capixabas etc.
Todos
migraram para a região em busca de trabalho, principalmente relacionado à
mineração.
Cercado por serras de minério de ferro, o município abriga
um dos maiores empreendimentos minerais do mundo, o Projeto Carajás,
desenvolvido pela Companhia Vale.
4.2.2 Contexto Atual
Hoje, a cidade apresenta um dos três maiores orçamentos do estado devido
aos royalties e impostos gerados pelas atividades da Companhia Vale do
Rio Doce (CVRD) em seu território, porém o índice de pobreza é alto,
42,03%.
Apesar de mais baixo que o índice médio do estado, 43,14%, está
bem acima da média de outros estados, como Minas Gerais com 26%.
A economia do município baseia-se essencialmente na extração mineral.
A atividade mineradora de ferro, ouro e manganês é a mais forte da
economia do município.
Pode-se verificar no gráfico abaixo (figura 26),
que o PIB relacionada a indústria, nesse caso ligada à mineração, é três
vezes maior que o do setor de serviços, segundo no ranking da economia
local.
O setor terciário, de comércio e serviços têm hoje contribuído
fundamentalmente para a economia do município.
Há uma rede de lojas,
farmácias, bares, bancos, hospitais, correios, salões de beleza,
transportes, bem extensa e diversificada, que contrata mão-de-obra de
parte da população.
A economia informal é outro setor que tem crescido.
Percebe-se o
dinamismo acentuado das feiras livres, assim como das bancas de vendas,
dos mais diversos tipos de produtos, espalhadas por parte da cidade.
Nos
últimos anos, Parauapebas está diversificando suas atividades
econômicas, possibilitando o crescimento do agronegócio, com a ênfase
para a pecuária, de corte e leiteira, para a fruticultura e produção de
grãos, além da exploração da madeira de lei.
Área de mineração Parauapebas
Vista aérea Parauapebas

Fontes: arquivo pessoal e www.achetudoeregiao.com.br
O empreendimento bilionário instalado na região redesenhou parte
expressiva da paisagem amazônica, estimulou novas atividades econômicas,
como a siderurgia, além de causar uma reviravolta nas relações sociais e
na vida da população da região.
A implantação da Estrada de Ferro
Carajás, ligando Parauapebas (PA) a São Luís(MA), acarretou em várias
mudanças da região.
A linha começou a operar em 1985, com 892km, no ano
seguinte começou a funcionar o trem de passageiros, com capacidade para
1.500 passageiros.
Esse meio de transporte é o mais usado pelas pessoas
que se mudam para a cidade.
Estima-se que a cada semana chegam 50 famílias, resultando em um
problema típico das grandes metrópoles nacionais: o crescimento
desordenado.
A população atraída pela possibilidade de emprego, em
grande parte não é contratada, pois não possuem formação profissional e
escolar consistente.
Essa população crescente e sem emprego, acarreta na
ocupação da área de maneira desordenada, em residências precárias e
muitas vezes sem os serviços de água e esgoto, gerando áreas de risco
social.
A cidade vive hoje outro problema urbanístico, além de seu crescimento
descontrolado sua infraestrutura urbana não apresenta um bom padrão
urbanístico e existe um déficit de serviços.
Parauapebas não atende a
população de alta renda contratada para trabalhar na VALE.
Para reverter
essa situação, a própria empresa desenvolveu um grande projeto de
expansão da cidade em uma área fora do centro.
Também serão realizadas
algumas melhorias nas as áreas já urbanizadas, com a construção de
equipamentos para a prática de esporte, áreas de lazer e comercio.
O projeto Residencial Parauapebas será interligado ao centro por novos
eixos viários e os existentes receberão novo tratamento paisagístico.
O
novo bairro contará com mercado, teatro, jardim botânico, capela
ecumênica e um alto padrão urbanístico.
As casas serão de quatro
tipologias, com alturas e cores variadas.
Apesar das melhorias que serão realizadas na parte já urbanizada, a
construção de um empreendimento de alto nível fora do centro da cidade
aumentará a segregação social.
A criação de um novo espaço não resolverá
os problemas atuais da área central, ao contrário, podem
potencializá-los
4.3 ANÁLISE DA EVOLUÇÃO DAS CIDADES ESTUDADAS
As cidades estudadas apresentam, ou apresentaram grande dependência
econômica relativa à mineração.
A cidade de Itabira, por exemplo, vive
hoje uma situação que é definida pelos economistas como “enclave
econômico”.
Toda sua economia tem como base a atividade mineira, uma vez
que grande parte das pessoas que vivem ali trabalham direto ou
indiretamente no setor.
Apesar de apresentar atividade comercial
considerável, todo esse setor funciona com capital proveniente da
mineração.
A mineração em Itabira emprega direta e indiretamente cerca
de 4 mil pessoas.
A atividade rende uma receita de aproximadamente R$
150 milhões anuais, 75% da arrecadação total do município.
A
possibilidade de encerramento da atividade mineira, traz preocupação
para a cidade e seus moradores.
A atividade mineira muitas vezes é desenvolvida em locais até então
desabitados, sendo necessária a construção de núcleos habitacionais e
infraestrutura de transporte, além da infraestrutura da mina.
Nesses
casos os maiores problemas acontecem com o encerramento da atividade
mineira, caso a cidade não tenha desenvolvido outras atividades
econômicas ao longo da existência da mina.
A cidade então tem sua
economia desfalcada e grande parte da população migra.
Gerando um quadro
crítico em que a administração local não tem fundos para manter a
infraestrutura existente, uma vez que já não tem a arrecadação da
mineração.
A infraestrutura de transporte de carga, como portos e
ferrovias, fica subutilizada, encarecendo o transporte para a região.
O início da atividade mineira resultou no aumento da população das cinco
cidades.
A cidade de Parauapebas é um exemplo recente desse crescimento
populacional acelerado, que resulta em problemas para a cidade devido á
falta de planejamento urbano.
A cidade hoje apresenta ocupações
irregulares, falta de infraestrutura, malha viária desordenada,
crescimento sem limites, entre outros problemas.
As cidades que crescem
sem um plano global não têm como prever os problemas e a administração
local passa a apenas tentar sanar-los.
Ou seja, o orçamento público
também é gasto de maneira desprogramada, não existindo um plano de metas
e estratégias de crescimento local.
A cidade de Parauapebas, assim como as demais, sofre com outra
consequência da mineração, a existência de uma população flutuante.
A
alta rotatividade na cidade dificulta um planejamento a longo prazo.
As
pessoas viverem pouco tempo na cidade, sem criar vínculos com o local.
Dessa maneira grande parte do capital adquirido durante certo período de
trabalho é transferido para outras cidades.
A chegada de uma nova
população gera novas demandas a serem atendidas.
Muitas vezes as cidades
não possuem infraestrutura e serviços para atender a essas
necessidades.
As cidades mineradoras muitas vezes sofrem consequências ambientais.
A
atividade mineira quando praticada de maneira descontrolada pode causar
danos ao meio ambiente.
A cidade de Itabira, por exemplo, teve sua
paisagem natural alterada, com a remodelação de seu relevo.
A questão da
água também é muito séria, a necessidade de rebaixar o lençol freático
cada vez que a mineração o atinge, comprometeu as nascentes existentes e
o abastecimento de água para a população.
Existindo, ainda, o problema
da poluição dos córregos e do solo causada pela lavagem do minério.
Todos os problemas identificados, sendo eles a dependência econômica
relativa à mineração, o crescimento rápido e sem planejamento, a
existência de uma população flutuante, o surgimento de novas demandas a
serem atendidas, e os impactos ambientais, podem ser evitados ou
revertidos em possibilidades de novas atividades econômicas.
A mineração
pode trazer transtornos para uma região, porém se planejada e aliada a soluções criativas para contornar seus malefícios, promove o desenvolvimento local e do país.
Fonte:
Camila Vieira
Arquiteta – Minerconsult Engenharia
Ex-aluna da pós-graduação em Engenharia de Produção Mineral do Ietec
COMENTÁRIO:
Pelo que tudo indica, em Parauapebas já está acontecendo o que aborda o estudo da Camila Vieira.
Basta olhar ao redor da cidade e constatar que já destruíram as reservas florestais, estão colocando abaixo os morros, e o pior de tudo é que a Vale já atingiu o lençol freático, obrigando-a utilizar bombas submersíveis potentíssimas com o objetivo de jogar esta água do subsolo para o solo da terra, para continuar extraindo minérios.
Sabem o que isso significa para a população parauapebense ? É que em pouco mais de cinco anos, não se terá mais água no município para o consumo humano, porque os rios e lagos desta região, recebem água do lençol freático.
Pesquisa feita recentemente sobre o Rio Parauapebas, já comprovou que o mesmo já está diminuindo seu volume de água.
O pior de tudo isso, é que as autoridades do estado do Pará e o governo Federal, não estão tomando providências sobre essa situação preocupante, e tão pouco os vereadores do município se manifestam como os "legítimos representantes" do povo para tomar qualquer atitude.
Valter Desiderio Barreto.