Vitor Rocha, 21 anos, foi detido de cueca pela polícia no começo de junho em Bauru, interior de SP.
Ele ficou em silêncio sobre acusações e chorou na Justiça.
Outros 3 rapazes foram presos na semana passada por suspeita de obrigar meninas menores a divulgar imagens nuas e estuprá-las.
Por Kleber Tomaz e Diego Zanchetta, g1 SP e TV Globo — São Paulo.
Universitário fica em silêncio sobre acusações de pornografia infantil.
O jovem preso no início deste mês pela Polícia Civil de São Paulo por suspeita de associação criminosa e de armazenar e divulgar pornografia infantil na internet disse à Justiça que cursava faculdade de direito e recebia até R$ 7 mil por mês trabalhando com o desenvolvimento de games.
O interrogatório dele foi gravado em vídeo.
Nas imagens, Vitor Hugo Souza Rocha, que é conhecido como o "Verdadeiro Vitor", fica em silêncio ao ser perguntado sobre as acusações e também chora (assista acima).
Em um dos arquivos apreendidos pela investigação com imagens das vítimas, o universitário chama as vítimas de "vagabundas estupráveis" no Discord (aplicativo da internet usado principalmente por adolescentes para conversar sobre jogos).
O rapaz aparece dando risada num vídeo quando mostra a outros rapazes um arquivo identificado como "backup vagabundas estupráveis" (veja abaixo).
Nele estavam imagens nuas de meninas menores de 18 anos de idade.
Muitas eram vítimas do grupo, obrigadas a tirar fotos e vídeos sem roupa, e se mutilarem.
Algumas foram estupradas pelos participantes.
Vitor tem 21 anos.
Ele foi detido em flagrante em 7 de junho em Bauru, no interior paulista.
Além dele, outros três jovens, todos adultos, foram presos temporariamente na semana passada e nesta semana por decisão judicial após o "Fantástico" revelar outro caso de violência contra garotas envolvendo o aplicativo Discord em maio (saiba mais abaixo).
Eles também respondem pelos mesmos crimes de Vitor, mais estupro de vulnerável e ameaça contra meninas menores.
Segundo a investigação, todos os quatro agressores se conheciam, integravam esse grupo virtual no Discord e planejavam os crimes na plataforma.
Além de serem obrigadas a enviar "nudes" (fotos e vídeos íntimos) ao grupo, as garotas tinham que se cortar para marcar as iniciais dos apelidos dos rapazes na pele.
Algumas das vítimas eram forçadas a ter relações sexuais com os jovens.
Os abusos sexuais e agressões eram filmados e compartilhados pelos criminosos no Discord.
Uma adolescente de 13 anos e outra de 16 acusam os rapazes de estupros.
Elas são, respectivamente, de Santa Catarina e São Paulo e tinham ido ao encontro do grupo depois de conhecer seus participantes no aplicativo.
A polícia também investiga a possibilidade de que os jovens tenham violentado sexualmente e ameaçado mais cinco garotas: 3 em São Paulo, uma no Espírito Santo e outra no Amapá.
Os presos também são investigados por apologia ao nazismo, racismo e tráfico de drogas.
É apurado ainda se algum deles teve participação no assassinato de um morador de rua.
Preso de cueca e choro.
Criminoso que agia no Discord tinha pasta de arquivos com vítimas catalogadas.
Os policiais de São Paulo viajaram até Bauru para cumprir o mandado de prisão temporária de Vitor autorizado pela Justiça.
Ele foi encontrado de cueca no quarto da casa onde mora com a família.
Acabou algemado e levado para a delegacia em São Paulo.
Lá, Vitor se reservou ao direito constitucional de ficar em silêncio e não responder as perguntas dos agentes, quando foi indagado sobre as acusações de possuir material pornográfico com menores de idade, que é proibido.
Vídeo gravado pelas autoridades mostra o momento em que o estudante é questionado (veja acima).
"São sádicos, são misóginos. Eles têm um asco por mulheres", disse Fábio Pinheiro, delegado responsável pela investigação, ao Fantástico.
Outra filmagem feita pela Justiça registrou o momento em que o estudante contou estar no quarto ano de direito de uma universidade (veja acima).
As poucas perguntas que ele respondeu ao juiz foram para dizer que também trabalhava e recebia entre R$ 5 mil a R$ 7 mil produzindo conteúdo para games.
Vitor se negou a comentar as denúncias de que guardava imagens com crianças e adolescentes nuas.
O universitário ainda aparece chorando quando sua defesa perguntou se ele foi algemado quase sem roupa e se havia necessidade disso, já que ele não teria oferecido resistência aos policiais que invadiram sua residência.
Durante toda a audiência, as mãos do investigado estavam presas, por segurança.
Justiça decreta prisão preventiva.
Polícia de SP prende 4º jovem suspeito de estuprar meninas que conheceu no Discord.
O g1 não conseguiu localizar a defesa de Vitor para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem.
Na filmagem feita pela Justiça, seu defensor pede ao magistrado o relaxamento da prisão em flagrante para que seja concedida a ele a liberdade provisória, já que o rapaz nunca havia sido preso antes, tem endereço, estuda e trabalha.
O Ministério Público (MP) pediu a manutenção da prisão.
O juiz acabou decretando a prisão preventiva do investigado, sem prazo determinado para sair.
"Não se trata de desafios que estão sendo praticados por adolescentes.
Se trata de criminosos: grande maioria é maior de idade", disse a promotora Maria Fernanda Balsalobre ao Fantástico,
Rede sem lei: no Discord, criminosos violentam e humilham meninas menores de idade.
Os outros detidos pela polícia são:
- Gabriel Barreto Vilares, o "Law", de 22 anos (preso na sexta-feira passada, dia 23, na capital paulista): investigado por associação criminosa, estupro e ameaça;
- William Maza dos Santos, o "Joust", de 20 anos (também detido na última sexta em São Paulo): investigado por associação criminosa, estupro e ameaça;
- Carlos Eduardo Custódio do Nascimento, o "DPE", de 19 anos (detido nesta segunda, 26): investigado associação criminosa, por estupro e ameaça.
A reportagem não conseguiu localizar as defesas dos demais presos para tratar do caso.
'Verdadeiro Vitor', 'Law', 'Joust' e 'DPE' estão presos por crimes cometidos contra meninas pelo Discord — Foto: Reprodução.
Além da responsabilização individual dos agressores, o Ministério Público também investiga o próprio Discord.
Em entrevista ao Fantástico, um porta-voz disse que a plataforma “não tolera comportamento odioso”.
Em abril, o Fantástico havia revelado como Izaquiel Tomé dos Santos, o "Dexter", de 20 anos, também estuprava e ameaça meninas menores de idade que conheceu no Discord.
Ele foi detido em abril.
Segundo a investigação, ele não conhecia os outros quatro presos.
Sua defesa também não foi localizada.
A Polícia Federal (PF) também investiga se outros rapazes usaram o Discord para cometer estupros e ameaças contra outras dez garotas menores de idade.
COMENTÁRIO:
Que esses imbecis passem muito tempo na cadeia !
Valter Desiderio Barreto.
Barretos, São Paulo, 27 de junho de 2023.
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