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quarta-feira, março 22, 2023

Alvo do plano, promotor diz que ação contra Moro veio de 'departamento de homicídios' da facção

Por Julia Duailibi.

Julia Duailibi é comentarista de política e economia da GloboNews.

Promotor Lincoln Gakiya, foto tirada em 10 de março de 2023 — Foto: Leonardo Bosisio/g1

Promotor Lincoln Gakiya, foto tirada em 10 de março de 2023 — Foto: Leonardo Bosisio/g1.

O promotor Lincoln Gakiya, do GAECO de Presidente Prudente, afirmou que o plano para matar o ex-juiz e atual senador Sérgio Moro foi identificado por meio de um depoimento colhido de uma testemunha em investigações no final de janeiro. 

Ele afirmou ainda que a ação foi articulada por uma espécie de "departamento de homicídios" da facção criminosa, que usava um codinome para se referir a Moro – que, segundo investigadores, era "Tóquio".

"Não é surpresa para mim. 

Convivo com isso há mais de quatro anos. 

Desde que fiz a remoção (de Marcola, líder da facção, para o presídio federal), minha vida virou de cabeça para baixo. 

Quase mensalmente tem um plano para me matar", afirma o promotor que investiga a facção há 18 anos.

A informação sobre o plano de matar ou sequestrar Moro, que era ministro da Justiça quando veio a ordem de transferência do líder da facção para o presídio federal, surgiu num depoimento colhido pelo Ministério Público.

De acordo com Lincoln, as lideranças da facção estavam particularmente incomodadas com o fim da visita íntima nos presídios federais. 

"Os presos odeiam o Moro por causa disso. 

Por causa da portaria que proíbe isso no sistema federal. 

A ordem veio de lá. 

Creio que queriam um sequestro, mas poderia ser execução também."

O promotor acionou então a Polícia Federal e a polícia legislativa do Senado. 

As investigações começaram em janeiro. 

O setor responsável na facção pela articulação do plano, e que geralmente articula sequestros e resgates, é chamado de “setor de sintonia restrita”, conhecido como "departamento de homicídios e atentados” da facção, conta Lincoln. 

“Estamos vendo a ousadia desses criminosos. 

Criaram um setor para isso. 

Alugaram casas, chácara. 

É algo estarrecedor. 

Sou mais um dos alvos. 

Mas minha maior surpresa foi ser também contra o Moro", completou o promotor.

A PF deflagrou nesta quarta-feira (22) a operação para prisão dos responsáveis pelo plano. 

“A gente conseguiu muito rapidamente fazer a investigação. 

Foi um trabalho conjunto. 

Em 45 dias a investigação estava concluída", declarou. 

COMENTÁRIO:

"As investigações começaram em janeiro. 

O setor responsável na facção pela articulação do plano, e que geralmente articula sequestros e resgates, é chamado de “setor de sintonia restrita”, conhecido como "departamento de homicídios e atentados” da facção, conta Lincoln".
 
Valter Desiderio Barreto.
 
Barretos, São Paulo, 22 de março de 23. 

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