Ex-ajudante de ordens, o coronel Mauro Cid disse que Bolsonaro teria um acervo, tanto no Palácio do Planalto quanto no Alvorada, para onde ia tudo que ganhava.
Ele não sabe explicar por que os presentes foram declarados à União apenas um ano após a entrada no Brasil.
Por Andréia Sadi e Arthur Guimarães.
Ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, coronel Mauro Cid tem dito a interlocutores, nos bastidores, que o relógio do segundo pacote que foi presente da Arábia Saudita teria sido catalogado e embalado na mudança como um bem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Como o blog revelou mais cedo, a PF vai apurar se Bolsonaro catalogou como item pessoal itens do segundo pacote -- como o relógio -- na hora de deixar a presidência.
É preciso fazer uma espécie de inventário de itens que leva-se da presidência quando o mandatário deixa o governo.
Segundo relato de Cid a aliados, apurado pelo blog, Bolsonaro teria um acervo tanto no Palácio do Planalto quanto no Alvorada em que tudo o que ganhava iria para esses dois locais.
Quando saiu da presidência, caminhões de mudanças teriam ido nesses acervos, embalaram e levaram os itens para outro lugar -- sem especificar qual lugar.
E, na versão de Cid a interlocutores, tudo isso está catalogado e o “relógio também está catalogado nesse meio”.
O blog apurou que o documento com a relação de itens declarados por Bolsonaro como pessoais quando deixou a presidência foi requisitado pela Polícia Federal -- que já recebeu o documento.
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Cid, segundo o blog apurou, argumenta que o relógio do segundo pacote estaria catalogado “igual qualquer outro bem que ele recebeu”, como uma caneta, tênis, uma Bíblia ou um chapéu.
E que o relógio estaria com Bolsonaro “igual a outros presentes”, que Bolsonaro teria 200 metros cúbicos de presentes.
No entanto, o ex-auxiliar de Bolsonaro não sabe explicar a esses interlocutores por que esse presente só foi declarado à União um ano após a entrada no Brasil.
E, mesmo assim, sem comunicação ao Fisco.
Recibo mostra outra caixa de joias enviada por sauditas a Bolsonaro — Foto: Reprodução/TV Globo.
Também não sabe explicar como um presente para o Estado teria sido levado pelo ex-presidente como item pessoal, já que a lei só permite itens personalíssimos no acervo privado.
Na versão dos assessores de Bolsonaro ouvidos pelo blog, Bolsonaro não usa relógio e não queria deixar “nada para Lula”.
Cid também tem dito nos bastidores que todos esses itens, levados por Bolsonaro, foram recebidos de apoiadores pelo Brasil, de autoridades nacionais e também de outras nações - muitas coisas foram trazidas no avião presidencial, que, diz, “nunca foi inspecionado”.
COMENTÁRIO:
"Também não sabe explicar como um presente para o Estado teria sido levado pelo ex-presidente como item pessoal, já que a lei só permite itens personalíssimos no acervo privado.
Na versão dos assessores de Bolsonaro ouvidos pelo blog, Bolsonaro não usa relógio e não queria deixar “nada para Lula”.
Quem toma posse daquilo que não é seu, é chamado de ladrão !
Valter Desiderio Barreto.
Barretos, São Paulo, 07 de março de 2023.
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