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segunda-feira, junho 13, 2022

Moro deputado

Claudio Dantas Sequeira - YouTube
Claudio Dantas.
União Brasil não deve dar a Sergio Moro a candidatura ao Senado nem ao governo de São Paulo, restando ao ex-juiz disputar uma vaga na Câmara dos Deputados
Moro deputado
Foto: Adriano Machado/Crusoé.

Sergio Moro deve ganhar da União Brasil mais alguns limões. 

A vaga para disputar o Senado será entregue ao vereador Milton Leite, peça fundamental para o apoio da legenda a Rodrigo Garcia, que, ontem, se reuniu com poderosos empresários na mansão do advogado Nelson Williams, em São Paulo.

Todos reiteraram o compromisso em torno da reeleição do tucano, que aumentará progressivamente sua exposição pública nas próximas semanas.

Na prática, significa que o ex-juiz só terá apoio do partido para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. 

Do lado de fora, a percepção é de que Moro, que sonhava com a Presidência da República, levou mais uma rasteira e apequenou-se de vez.

Como escrevi em fevereiro, ser deputado federal não é pouca coisa. 

Ulysses Guimarães nunca foi senador, governador ou presidente. 

Na Câmara, conduziu a elaboração da Constituição de 1988. 

Goste-se ou não do texto que ainda vigora, certo que o emedebista entrou para a história.

Moro já está na história como o juiz que conduziu a maior operação anticorrupção deste país. 

Como político, porém, é apenas um estreante pouco articulado. 

Tolice imaginar que seria carregado nos braços do povo até o Palácio do Planalto, como num passe de mágica.

Muitos apoiadores de Moro se sentiram traídos ao vê-lo, no lançamento da pré-candidatura de Luciano Bivar, sentado à mesa com ex-nomes das planilhas da Odebrecht e da JBS. 

Mas a eleição de Jair Bolsonaro e a posterior destruição da Lava Jato já mostraram como o sistema pode ser resiliente. 

Se Moro quer “fazer a coisa certa” na política, deve abraçar a candidatura a deputado e buscar atrair outros nomes qualificados, evitando servir como puxador de votos de personagens menores. 

Pode negociar desde já o apoio do partido ao comando de uma comissão estratégica, como a CCJ.

Na Câmara, o ex-juiz terá chance de se reconectar com a sociedade. 

A seu favor, ele tem a matemática. 

As intenções de voto do ex-ministro lhe dão poder político e financeiro para eleger entre 10 e 12 deputados, o que representa entre R$ 230 a R$ 300 milhões em fundo eleitoral. 

Não é pouca coisa.

Faça uma limonada, Moro.

COMENTÁRIO:

"Como escrevi em fevereiro, ser deputado federal não é pouca coisa. 

Ulysses Guimarães nunca foi senador, governador ou presidente. 

Na Câmara, conduziu a elaboração da Constituição de 1988. 

Goste-se ou não do texto que ainda vigora, certo que o emedebista entrou para a história.

Moro já está na história como o juiz que conduziu a maior operação anticorrupção deste país. 

Como político, porém, é apenas um estreante pouco articulado". 

Sérgio Moro está começando correto na política partidária !

Tem muita bagagem como ex membro do Poder Judiciário Federal por mais de duas décadas, e irá prestar relevantes serviços no Poder Legislativo no Congresso Nacional em Brasília. 

Se não deixar a vaidade subi pra cabeça depois de eleito, poderá chegar a presidente do Brasil !

Valter Desiderio Barreto.

Barretos, São Paulo, 13 de junho de 2022.

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