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quarta-feira, junho 15, 2022

Entidades e políticos se manifestam sobre assassinato de indigenista e jornalista desaparecidos no AM


Suspeito preso durante investigações, Amarildo da Costa Oliveira, o Pelado, confessou assassinato para polícia. Bruno Pereira e jornalista inglês Dom Phillips, estavam desaparecidos desde o dia 5 de junho.

Por g1 AM

Montagem com fotos do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips — Foto: Foto: TV Globo/Reprodução

Montagem com fotos do indigenista brasileiro Bruno Araújo Pereira e do jornalista inglês Dom Phillips — Foto: Foto: TV Globo/Reprodução.

A União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (UNIVAJA), movimento indígena representativo dos povos que habitam na Terra Indígena Vale do Javari, divulgaram uma nota onde se solidarizam com a família das vítimas.

"Nos solidarizamos com as famílias de Bruno e Dom, nossos parceiros, expressando o nosso pesar e profunda tristeza diante dessa perda. 
Para nós, povos indígenas do Vale do Javari, é uma perda inestimável", disse a UNIVAJA.

Ainda na nota, a UNIVAJA agradeceu a atuação de autoridades durante as buscas e que "o caso ainda não acabou.

"Manifestamos nossa preocupação com a continuidade das investigações. 

Pelado e Dos Santos fazem parte de um grupo maior, nós sabemos. 

Manifestamos nossa preocupação com nossas vidas, a vida das pessoas ameaçadas (pois não era somente o Bruno Pereira), componentes do movimento indígena, quando as forças armadas e a imprensa se deslocarem de Atalaia do Norte. 

O que acontecerá conosco? Continuaremos vivendo sob ameaças? 

Precisamos aprofundar e ampliar a investigação. 

Precisamos de fiscalização territorial efetiva no interior da Terra Indígena Vale do Javari. 

Precisamos que as Bases de Proteção Etnoambiental (BAPEs) da FUNAI sejam fortalecidas", diz outro trecho da nota.

O Greenpeace também divulgou uma nota onde lamenta o crime. 

A entidade questiona as invasões e grilagem de territórios, garimpo e exploração ilegal de madeira que ocorrem na região sem ser impedidas de acontecer.

"Abandono e revolta. 

São esses os sentimentos que devastam todos nós que, daqui ou de fora da Amazônia, entregamos nossas vidas à defesa dessa floresta e de seus povos. 

Graças às ações e omissões de um governo comprometido com a economia da destruição, ficamos órfãos de dois grandes defensores da Amazônia e, ao mesmo tempo, reféns do crime organizado que hoje é soberano na região", afirmou Danicley de Aguiar, porta-voz de Amazônia do Greenpeace Brasil.

Em uma publicação em redes sociais, o Observatório do Clima também falou sobre o caso. 

"É com tristeza e revolta que recebemos a notícia de que Bruno Pereira e @domphillips foram assassinados no Vale do Javari. 

Nossos pensamentos se voltam às famílias de ambos, numa dor que também é nossa #JusticaParaBrunoeDom", disse a publicação.

O pré-candidato pelo PT à presidência, Lula lamentou a morte de Bruno e Dom, ao "defenderem o meio ambiente".

"[Estou] Triste, porque possivelmente a PF já tenha encontrado o corpo do indigenista e do jornalista no AM. 
Esse país não pode passar imagem para o exterior de que mata quem defende o meio ambiente. 
Vamos fazer um minuto de silêncio pelo Bruno e jornalista, esperar a perícia, para que eles tenham o descanso", afirmou.

O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, disse que espera que os responsáveis pelo crime sejam punidos, através de redes sociais.

"É com enorme pesar que recebo a notícia de que foram encontrados os restos mortais do indigenista Bruno Araújo e do jornalista Dom Phillips. 

Em respeito às vitimas, à Amazônia e à liberdade de imprensa, espero que todos os criminosos envolvidos sejam punidos com o rigor da Lei", disse Pacheco em publicação.

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), manifestou solidariedade às famílias e aos amigos do indigenista Bruno Araújo e do jornalista Dom Phillips, além de cobrarem respostas das autoridades, através de uma nota.

"O triste desfecho preocupa, pois se soma à uma recente escalada de violência marcada por inadmissíveis ameaças contra indígenas, comunidades tradicionais, lideranças ambientais, cientistas, jornalistas e demais pessoas que trabalham pela na proteção e o desenvolvimento sustentável da Amazônia".

A Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira no Brasil (ACIE) e a Associação dos Correspondentes Estrangeiros (ACE) também lamentaram o desfecho do caso.

"Toda a comunidade de Correspondentes Estrangeiros no Brasil se encontra em choque e consternada. 

Embora ainda estejamos aguardando as confirmações definitivas, essa é uma matéria que nunca gostaríamos de escrever. 

Dom foi da diretoria da ACIE por 4 anos e era amigo pessoal de muitos de nossos associados. 

Bruno era uma referência para qualquer jornalista internacional que fosse a trabalho para a região do Vale do Javari, no Estado do Amazonas. 

Os dois eram profissionais muito experientes, competentes e com uma paixão em comum: a floresta amazônica e a defesa dos povos indígenas".

Busca por desaparecidos.

Bruno e Phillips foram vistos pela última vez na comunidade São Rafael, a cerca de 2 horas de lancha da sede de Atalaia do Norte e próxima à Terra Indígena Vale do Javari. 

A reserva é palco de conflitos relacionados ao tráfico de drogas, roubo de madeira e garimpo ilegal.

A procura pelos dois teve início no próprio domingo do desaparecimento, dia 5 de junho, por integrantes da Univaja. 

Como não conseguiram localizá-los, alertaram as autoridades sobre o sumiço na segunda-feira.

Neste quarta-feira (15), o suspeito Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como "Pelado", confessou o crime e a polícia encontrou "remanescentes humanos" enterrados durante as buscas.

Cronologia: indigenista e jornalista britânico desapareceram na Amazônia

Cronologia: indigenista e jornalista britânico desapareceram na Amazônia.

As buscas ao indigenista e ao jornalista reúnem o Exército, a Marinha, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e a Polícia Federal. O Exército atua desde a tarde de segunda, na região do Vale do Javari, com combatentes de selva da 16º Brigada de Infantaria de Selva, sediada em Tefé (AM). 

COMENTÁRIO: 

"Neste quarta-feira (15), o suspeito Amarildo da Costa Oliveira, conhecido como "Pelado", confessou o crime e a polícia encontrou "remanescentes humanos" enterrados durante as buscas".

Com certeza absoluta, por trás desses bárbaros crimes, tem gente muito influente interessado na execução desses renomados profissionais !

Com paciência, e persistência, as autoridades policiais chegarão ao nome, ou nomes dos autores intelectuais dessa barbárie cometida contra essas duas vítimas indefesas, que só viviam para o bem da natureza, meio ambiente, e o ser humano !

Valter Desiderio Barreto.

Barretos, São Paulo, 15 de junho de 2022.

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