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sábado, junho 11, 2022

‘Alívio, mas a dor continua’ diz filho sobre a prisão de um dos suspeitos da morte de diarista e idosa no Flamengo

 

Diogo Fernandes, filho de Alice Fernandes da Silva, agradeceu ainda ao empenho da polícia na rápida resolução do caso.

Por Eliane Santos, g1 Rio.

Diogo Fernandes no IML: dor pela perda da mãe de forma brutal — Foto: TV Globo

Diogo Fernandes no IML: dor pela perda da mãe de forma brutal — Foto: TV Globo.

Sensação de justiça, mas com uma imensa dor. 

É assim que Diogo Fernandes, de 27 anos, filho da diarista Alice Fernandes da Silva – morta na quinta-feira (9) junto com a idosa para quem trabalhava, Martha Maria Lopes Pontes -, descreve o que sentiu quando soube da prisão de um dos suspeitos envolvidos no crime.

A prisão aconteceu nesta sexta-feira (10), feita por policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), e a partir de uma pista que Diogo deu: a de que dona Martha, de 77 anos, estaria sendo extorquida por pintores que fizeram um serviço em seu apartamento.

“A gente recebeu um alívio, porém a dor continua. 
Eu só tenho a pedir que Deus abençoe os dois que fizeram isso com a minha grande heroína. 
A justiça do homem e a justiça de Deus vão ser feitas. 
Quero agradecer também o empenho da Polícia Civil”, disse ele bastante emocionado.

'Que Deus abençoe essas pessoas más'

Perguntado sobre o abençoar os assassinos de sua mãe, Diogo explicou que essa foi uma das lições que aprendeu com dona Alice.

“É triste, mas não sou mau feito essas pessoas. 
Nossa mãe nos criou assim: praticando o amor mesmo que outras pessoas façam o mal conosco”, disse reiterando que isso não significa impunidade dos criminosos.

“Que eles paguem por tudo que fizeram com a minha mãe. 

Da maneira que Deus achar necessário”, disse ao g1.

Diogo Fernandes, filho de Alice, dor sem rancor — Foto: TV Globo

Diogo Fernandes, filho de Alice, dor sem rancor — Foto: TV Globo.

Prisão e confissão.

Após ser preso na tarde desta sexta-feira (10) na favela de Acari, na Zona Norte do Rio, e ser levado para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC), Jonatan Correia Damasceno confessou participação nas mortes de Martha Maria Lopes Pontes, de 77 anos, e Alice Fernandes da Silva, 51.

"Não ofereceu resistência, não teve troca de tiros, foi uma operação cirúrgica que conseguiu localizá-lo e nesse momento ele está sendo ouvido aqui na Delegacia de Homicídios, onde realmente confessa que teria participado dessa ação criminosa", disse o delegado Alexandre Herdy, responsável pela DHC.

O crime aconteceu na quinta-feira (9), em um apartamento no Flamengo, na Zona Sul do Rio, e chocou pela brutalidade. 

As duas vítimas foram encontrada com cortes no pescoço e com o corpo carbonizado.

Na delegacia, Jonatan, que trabalhou como pintor para a idosa, contou que ele e William Oliveira Fonseca - o outro pintor -, ficaram no apartamento com as mulheres por cerca de três horas.

Os dois serão indiciados por três crimes, segundo a polícia.

"Eles serão autuados pelo crime de roubo seguido de morte, conhecido como latrocínio, pelo crime de incêndio e pelo crime de extorsão, uma vez que restou provado ao longo das investigações que eles coagiram a vítima a assinar pelo menos três cheques no valor de R$ 5 mil cada e efetivaram os saques”, completou o delegado.

Martha Maria Lopes Pontes, de 77 anos, e a diarista Alice Fernandes da Silva, de 51, foram encontradas mortas em apartamento no Flamengo  — Foto: Reprodução/TV Globo

Martha Maria Lopes Pontes, de 77 anos, e a diarista Alice Fernandes da Silva, de 51, foram encontradas mortas em apartamento no Flamengo — Foto: Reprodução/TV Globo.

O crime.

Os corpos de Martha Maria e Alice foram encontrados em um apartamento de luxo no Flamengo, na tarde da quinta-feira (9). 

Os corpos estavam decapitados e carbonizados.

Ainda segundo a polícia, Jonatan foi ao banco e fez três saques de R$ 5 mil cada. 

Os cheques eram de Martha.

Polícia prende um dos suspeitos de matar duas mulheres no Flamengo

Polícia prende um dos suspeitos de matar duas mulheres no Flamengo.

Filho de diarista fala em extorsão.

Diogo Fernandes, filho de Alice, afirma que os dois pintores que fizeram um serviço na residência tentaram extorquir dinheiro da dona da casa.

Ainda de acordo com ele, as duas tinham cortes no pescoço.

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“Eu só quero que as autoridades competentes prendam esses acusados que fizeram isso com a minha mãe. 

Isso é uma maldade. 

São duas pessoas de bem. 

Que prendam eles. 

É muita maldade fazer isso com duas mulheres indefesas. 

Que roubassem tudo o que estava no apartamento, mas não tirassem a vida delas”, declarou.

Ainda segundo ele, todo o serviço havia sido pago.

Parentes de Martha chegam ao IML  — Foto: Raoni Alves/g1 Rio

Parentes de Martha chegam ao IML — Foto: Raoni Alves/g1 Rio.

Há 15 dias, eles voltaram ao prédio, desta vez para um serviço no 15º andar, “e foram tentar subornar [sic] a Dona Martha”, disse Diogo.

Câmeras de segurança do prédio flagraram dois homens entrando no edifício por volta das 13h desta quinta

O Corpo de Bombeiros informou que o primeiro chamado ocorreu às 16h55 e que a equipe encontrou os corpos de Alice e de Martha carbonizados.

Pelo menos um porteiro afirmou ter liberado a entrada, após autorização de Martha, de dois homens. 

Eles estavam de máscara e com bonés. 

A identidade deles não foi anotada.

“A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso. 

Martha Maria Lopes Pontes e Alice Fernandes da Silva foram encontradas mortas no imóvel. 

A perícia foi realizada no local e diligências estão em andamento para apurar todos os fatos.”

Martha Maria tinha 77 anos e pelo menos uma filha, Leonora. 

Já Alice tinha tinha 51 anos e estava havia 20 anos com a família de Martha, de quem era cuidadora.

Tinha três filhos e seis netos.

O crime aconteceu no Edifício Murca, na Avenida Ruy Barbosa, um dos endereços mais valorizados do Flamengo, na Zona Sul do Rio. 

Martha morava no 12º andar.

Fachada do Edifício Murca, na Avenida Ruy Barbosa, no Flamengo, local do crime — Foto: Reprodução/TV Globo

Fachada do Edifício Murca, na Avenida Ruy Barbosa, no Flamengo, local do crime — Foto: Reprodução/TV Globo.

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