Justiça recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público Estadual e Augusto César Barretto Filho, de 74 anos, se tornou réu.
Por Gelson Netto e Wellington Roberto, G1 Presidente Prudente

Cardiologista acusado de abusar de pacientes se entrega à polícia em SP.
A Polícia Civil prendeu na tarde desta sexta-feira (18) o médico
cardiologista Augusto César Barretto Filho, de 74 anos, acusado de
abusar sexualmente de pacientes mulheres em seu consultório em Presidente Prudente.
Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça após ser denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça após ser denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Juntamente com seu advogado de defesa, Barretto Filho apresentou-se
espontaneamente à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), em Presidente
Prudente, onde a Polícia Civil deu cumprimento ao mandado de prisão
expedido pela Justiça.
Na delegacia, ele foi submetido ao exame de corpo de delito, realizado
por um médico legista, e depois foi transferido à Penitenciária de
Lucélia, para onde são levados os presos envolvidos em crimes sexuais.
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O médico cardiologista Augusto César Barreto Filho, de 74 anos, foi
preso nesta sexta-feira (18), em Presidente Prudente — Foto: Wellington
Roberto/G1.
O advogado de defesa, Emerson Longhi, afirmou que a prisão preventiva “é totalmente desnecessária”
porque o cardiologista compareceu a todos os atos a que foi convocado
pela Polícia Civil e está afastado de suas funções médicas.
Longhi adiantou que a defesa estuda as medidas judiciais cabíveis para
tentar derrubar a prisão preventiva de seu cliente, como um habeas
corpus ou um pedido de revogação da medida que levou Barretto Filho à
cadeia.
Além de decretar a prisão preventiva do médico, o juiz da 2ª Vara
Criminal da Comarca de Presidente Prudente, João Pedro Bressane de Paula
Barbosa, recebeu nesta quinta-feira (17) a denúncia apresentada pelo
MPE contra Barretto Filho, que se tornou réu.
Na Delegacia de Defesa da Mulher, em Presidente Prudente, já foram
registrados 37 relatos de abuso sexual de mulheres contra Barretto
Filho.
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O médico cardiologista Augusto César Barretto Filho, de 74 anos, foi
preso na tarde desta sexta-feira (18), em Presidente Prudente — Foto:
Wellington Roberto/G1.
Na denúncia, o promotor de Justiça Filipe Teixeira Antunes acusa o
médico de cometer o crime de violação sexual mediante fraude, previsto
no artigo 215 do Código Penal, com pena de reclusão de dois a seis anos,
agravado pela conduta tipificada no artigo 61, inciso II, alínea g, que
trata do abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício,
ministério ou profissão.
O caso tramita em sigilo no Fórum da Comarca de Presidente Prudente.
Antunes explicou ao G1 que
o pedido de prisão preventiva do médico foi feito à Justiça como forma
de garantia da ordem pública, já que no entendimento do MPE existe o
risco de ele voltar a praticar os delitos contra pacientes.
Segundo o promotor de Justiça, as investigações realizadas pela
Delegacia de Defesa da Mulher, em Presidente Prudente, foram iniciadas
em julho de 2018, a partir do relato de uma vítima.
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O médico cardiologista Augusto César Barretto Filho, de 74 anos, foi
preso na tarde desta sexta-feira (18), em Presidente Prudente — Foto:
Wellington Roberto/G1.
“Ele acariciava as partes íntimas das vítimas durante o atendimento
médico dentro de seu consultório para a sua satisfação sexual.
Essas carícias não tinham nenhuma relação com o atendimento médico. Ele abusava da confiança das vítimas.
Ele tocava as partes sexuais das vítimas e esfregava o seu pênis nas mulheres”, descreveu o promotor de Justiça ao G1.
Essas carícias não tinham nenhuma relação com o atendimento médico. Ele abusava da confiança das vítimas.
Ele tocava as partes sexuais das vítimas e esfregava o seu pênis nas mulheres”, descreveu o promotor de Justiça ao G1.
Em depoimento à Polícia Civil, segundo o MPE, o médico negou os fatos e disse que vai se manifestar em juízo.
As mulheres identificadas como vítimas tinham entre 18 e 50 anos quando foram abusadas, segundo o MPE.
Na avaliação de Antunes, como existe a possibilidade de outras mulheres
terem sido vítimas do cardiologista, a orientação é para que procurem a
DDM para que os casos sejam apurados.
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O médico cardiologista Augusto César Barretto Filho, de 74 anos, foi
transferido para a Penitenciária de Lucélia na tarde desta sexta-feira
(18) — Foto: Wellington Roberto/G1.
‘Estado de choque’.
Ao detalhar o caso que deu origem às investigações, em julho de 2018, a
Polícia Civil relatou que o médico acariciou “de forma lasciva” a perna
e a virilha da paciente, assim como introduziu a mão no interior de sua
calcinha, apalpando a vagina da mulher, durante o atendimento no
consultório.
Além disso, segundo a polícia, o cardiologista colocou a mão da vítima em seu pênis, enquanto aferia sua pressão arterial.
Além disso, segundo a polícia, o cardiologista colocou a mão da vítima em seu pênis, enquanto aferia sua pressão arterial.
“Não bastasse, o médico ainda pediu para ela virar de costas para
auscultar seu coração e efetuou movimentos contínuos semelhantes aos
utilizados na prática de conjunção anal, encostando seu quadril na
região das nádegas da vítima”, salientou a polícia.
A vítima explicou que havia passado por consulta com o mesmo
profissional em maio do ano passado e naquela ocasião o atendimento
transcorrera dentro da normalidade.
Sua pressão arterial foi aferida com a mulher sentada, assim como pela secretária, e a paciente ainda realizou um exame de eletrocardiograma.
Sua pressão arterial foi aferida com a mulher sentada, assim como pela secretária, e a paciente ainda realizou um exame de eletrocardiograma.
Como lhe foram solicitados outros exames, a mulher retornou ao médico
em nova consulta no dia 19 de julho de 2018, oportunidade em que o abuso
sexual ocorreu.
Durante o abuso, a vítima repetiu por duas vezes, segundo a Polícia
Civil, que não gostava daquele comportamento, mas o médico “fitou os
olhos de maneira firme e prosseguiu”.
A paciente descreveu que entrou em “estado de choque”, passou a chorar,
mas não conseguiu gritar por socorro.
A mulher ficou sem reação, exceto a de pedir ao médico diversas vezes para parar.
A mulher ficou sem reação, exceto a de pedir ao médico diversas vezes para parar.
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O médico cardiologista Augusto César Barretto Filho, de 74 anos, foi
preso na tarde desta sexta-feira (18), em Presidente Prudente — Foto:
Wellington Roberto/G1.
Interdição cautelar.
Nesta sexta-feira (18), o Conselho Regional de Medicina do Estado de
São Paulo (Cremesp) informou que, diante do volume de casos denunciados
envolvendo o cardiologista Augusto César Barretto Filho e "dado o seu
potencial de lesividade social", aprovou a interdição cautelar
suspendendo o seu registro profissional.
A suspensão é válida por seis meses, podendo ser renovada por igual período.
O Cremesp comunicará a decisão a todos os demais Conselhos Regionais de
Medicina do país, impedindo, assim, seu registro em outra jurisdição.
O Cremesp esclareceu ainda que, mesmo com a interdição cautelar, a
sindicância em curso contra o médico seguirá normalmente, sob sigilo
determinado por lei.
A apuração está a cargo da Câmara Técnica de Assédio Sexual, criada para investigar esses tipos de casos.
O Cremesp apontou que as novas denúncias contra o cardiologista serão juntadas à investigação em curso.
Registros.
A Delegacia de Defesa da Mulher, em Presidente Prudente, já contabiliza
o registro de 37 mulheres que alegam terem sido vítimas de abuso sexual
cometido pelo cardiologista durante atendimento em seu consultório.
Em todos os casos registrados na Polícia Civil, os relatos apontam que
as vítimas foram atacadas quando passavam por atendimento médico no
consultório do cardiologista, em Presidente Prudente, ao longo dos
últimos 25 anos.

Médico acusado de abusos sexuais é preso em Presidente Prudente.
‘Piada’.
Uma das mulheres que registraram Boletim de Ocorrência na DDM,
relatando terem sido abusadas sexualmente pelo cardiologista, disse ao G1 que amigos e conhecidos fizeram "piada" quando souberam do caso dela.
“A gente vê que o machismo está em todo lugar.
Até em casos como este.
Quando, na época, eu disse que havia sido abusada pelo médico, disseram que eu teria gostado.
Quando afirmei que viria até a delegacia denunciar, hoje, falaram: ‘Se ficou tanto tempo sem denunciar, é porque gostou'”, afirmou Simoni Aparecida de Oliveira, de 32 anos, que mora em Tarabai.
Até em casos como este.
Quando, na época, eu disse que havia sido abusada pelo médico, disseram que eu teria gostado.
Quando afirmei que viria até a delegacia denunciar, hoje, falaram: ‘Se ficou tanto tempo sem denunciar, é porque gostou'”, afirmou Simoni Aparecida de Oliveira, de 32 anos, que mora em Tarabai.
Ela disse ter sido abusada pelo profissional no consultório médico dele em 2014.
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Médico cardiologista Augusto César Barretto Filho — Foto: Cedida/Polícia Civil.
Empoderamento.
A delegada Adriana Pavarina, responsável pelas investigações, afirmou
que a prisão do cardiologista representa o "empoderamento" para as
vítimas denunciarem novos casos de abuso sexual.
"Ressaltamos que as mulheres se fortaleçam com a prisão do autor para
se empoderar a denunciar novos casos", disse ela em entrevista coletiva
na DDM na tarde desta sexta-feira (18).
"Ressaltamos ainda que o inquérito que deu início foi concluído no mais
absoluto respeito aos direitos e garantias individuais, tanto das
vítimas como também do investigado.
Nosso inquérito policial foi concluído e remetido à Justiça e somente a imprensa tomou ciência após o oferecimento da denúncia", complementou a delegada.
Nosso inquérito policial foi concluído e remetido à Justiça e somente a imprensa tomou ciência após o oferecimento da denúncia", complementou a delegada.
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A delegada Adriana Pavarina, responsável pelas investigações — Foto: Wellington Roberto/G1.
"Portanto, nós convidamos e empoderamos as novas vítimas a comparecer,
pois da mesma forma como transcorreu esse primeiro inquérito policial a
identidade e a preservação de todos os direitos e garantias individuais
tanto das vítimas como do investigado serão mantidas sob sigilo",
enfatizou.
"Uma prisão preventiva para ser decretada precisa satisfazer todos os
requisitos exigidos pelo Código de Processo Penal, que dentre eles são
tanto os motivos ensejadores da prisão preventiva como a presença de
indícios suficientes de autoria e materialidade.
Essa análise é feita pelo Poder Judiciário, mas para que ele fundamente uma decisão nesse sentido precisa encontrar presentes no inquérito policial que foi realizado indícios suficientes de autoria e materialidade e fundamentar a garantia da ordem pública", frisou a delegada.
Essa análise é feita pelo Poder Judiciário, mas para que ele fundamente uma decisão nesse sentido precisa encontrar presentes no inquérito policial que foi realizado indícios suficientes de autoria e materialidade e fundamentar a garantia da ordem pública", frisou a delegada.
“A prisão fortalece o empoderamento das vítimas para que elas consigam, superando essa dificuldade do medo, da vergonha e da humilhação, que são próprios de todas as vítimas de crimes sexuais, se empoderar para denunciar, fortalecidas ainda com a certeza de que o fato não será impune”, afirmou Adriana Pavarina.
“Juridicamente, todas essas mulheres descrevendo um comportamento
semelhante, para a legislação penal, isso caracteriza uma fonte de
prova, que é um indício.
Portanto, são utilizadas como fonte de prova e corroboram a investigação e a instrução processual para futura condenação”, concluiu a delegada.
Portanto, são utilizadas como fonte de prova e corroboram a investigação e a instrução processual para futura condenação”, concluiu a delegada.
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