Informações estão na 1ª delação fechada pelo ex-ministro de Lula e Dilma. Termo de colaboração de 13 de abril de 2018 foi anexado nesta quinta-feira (17) ao inquérito.
Por Marcelo Rocha, José Vianna, Aline Pavaneli e Ederson Hising, RPC Curitiba e G1 PR
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Em delação, Palocci diz que Lula recebeu dinheiro em espécie de propina da Odebrecht — Foto: Reprodução/JN.
O ex-ministro Antonio Palocci, delator da Operação Lava Jato, relatou
entregas de dinheiro em espécie, de propina paga pela Odebrecht, ao
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
As informações estão em um termo da primeira delação fechada por Palocci com a Polícia Federal de Curitiba.
As informações estão em um termo da primeira delação fechada por Palocci com a Polícia Federal de Curitiba.
Palocci prestou o depoimento em 13 de abril de 2018, na
Superintendência da Polícia Federal em Curitiba – a delação foi
homologada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) em junho
do ano passado.
Nesta quinta-feira (17), o depoimento foi anexado ao inquérito da PF sobre a Usina de Belo Monte, que tramita em sigilo.
Nesta quinta-feira (17), o depoimento foi anexado ao inquérito da PF sobre a Usina de Belo Monte, que tramita em sigilo.
No depoimento, Palocci diz que:
- Entregou a Lula, "em oportunidades diversas", dinheiro vivo, em remessas que chegaram a até R$ 80 mil. De acordo com ele, o ex-presidente lhe pedia que não comentasse com ninguém a respeito do assunto.
- Lula recebeu propina pela obra da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Pará. A Odebrecht destinou R$ 15 milhões a Lula, segundo Palocci. A Andrade Gutierrez também é citada.
- Dilma Rousseff, quando ainda era candidata, soube dos pagamentos da Andrade Gutierrez ao PMDB e autorizou que continuassem.
Dinheiro em espécie.
Um trecho da primeira delação do ex-ministro diz: "[Palocci] Também se
recorda que, dos recursos em espécie recebidos da ODEBRECHT e retirados
por Branislav Kontic, levou em oportunidades diversas cerca de trinta,
quarenta, cinqüenta e oitenta mil reais em espécie para o próprio Lula".
O ex-ministro afirmou ter entregue R$ 50 mil ao ex-presidente, dentro
de uma caixa de celular, no Terminal da Aeronáutica em Brasília (DF),
durante a campanha de 2010.
Um ex-motorista de Palocci chamado Claudio Souza Gouveia, que foi ouvido pela PF em agosto do ano passado no inquérito sobre a Usina de Belo Monte, diz ter testemunhado o encontro.
Um ex-motorista de Palocci chamado Claudio Souza Gouveia, que foi ouvido pela PF em agosto do ano passado no inquérito sobre a Usina de Belo Monte, diz ter testemunhado o encontro.
Outro trecho da delação de Palocci diz: "Em São Paulo, recorda-se de
episódio de quando levou dinheiro em espécie a Lula dentro de caixa de
whisky até o Aeroporto de Congonhas, sendo que no caminho até o local
recebeu constantes chamadas telefônicas de Lula cobrando a entrega".
De acordo com Palocci, essa cobrança do ex-presidente a caminho do
aeroporto foi presenciada por outro motorista, chamado Carlos Pocente,
que inclusive brincou perguntando se toda aquela cobrança de Lula era
apenas por causa da garrafa de uísque.
Em resposta, Palocci disse que "era óbvio que a insistência de Lula não
era por bebida, e sim pelo dinheiro; que o motorista afirmou ao
colaborador que estava brincando e que sabia que se tratava de dinheiro
em espécie".
Pocente também foi ouvido pela PF no inquérito e confirmou ter presenciado o encontro.
Pocente também foi ouvido pela PF no inquérito e confirmou ter presenciado o encontro.
O G1
procurou a defesa do ex-presidente Lula e aguarda um posicionamento.
Em outras ocasiões, a defesa de Lula disse que o ex-presidente nunca cometeu atos ilícitos.
Em outras ocasiões, a defesa de Lula disse que o ex-presidente nunca cometeu atos ilícitos.
O G1 também tenta contato com as defesas de Branislav Kontic e com a empreiteira Odebrecht.
Propina.
Com relação à propina que Lula teria recebido pela obra de Belo Monte,
Palocci disse que a empreiteira a Andrade Gutierrez pagou despesas ao
Vox Populi e que, em benefício do ex-presidente, fez doações ao
Instituto Lula e pagou palestras ao ex-presidente.
Já a empreiteira Odebrecht destinou R$ 15 milhões a Lula, de acordo com Palocci.
O pagamento foi feito a pedido de Emílio Odebrecht, com
operacionalização feita por Palocci e por Marcelo Odebrecht.
Desse total, Palocci soube que R$ 4 milhões foram pagos por meio de doação oficial.
O restante, disse, foi sacado em diversas oportunidades por Branislav.
Desse total, Palocci soube que R$ 4 milhões foram pagos por meio de doação oficial.
O restante, disse, foi sacado em diversas oportunidades por Branislav.
Dilma Rousseff.
No depoimento, Palocci diz ter informado Dilma Rousseff, na época em
que era candidata à presidência, quanto aos "vultosos pagamentos que a
Andrade Gutierrez estava fazendo ao PMDB em razão da obra da Usina
Hidrelétrica Belo Monte".
De acordo com o ex-ministro, "a então candidata tomou ciência e
efetivamente autorizaou que se continuasse a agir daquela forma".
O texto prossegue:
"em relação a pagamentos ao Partido dos Trabalhadores, esclarece que a
Andrade Gutierrez, na pessoa de Otávio de Azevedo, continuava a
manifestar explicitamente ao colaborador a vontade de colaborar
financeiramente com sua agremiação política [PT]; que, em razão disso,
em encontro que teve com Dilma Rousseff posteriormente, o colaborador a
indagou se havia necessidade de autorizar que a Andrade Gutierrez
fizesse pagamentos específicos e atrelados a sua participação na Usina
de Belo Monte; que o encontro ocorreu no início de 2011 no Palácio do
Planalto; que, segundo o colaborador, Dilma Rousseff não autorizou os
pagamentos pela Andrade Gutierrez".
O que disseram os motoristas à PF.
Em seus depoimentos à PF em agosto passado, os ex-motoristas citados
por Palocci disseram ter testemunhado as entregas do ex-ministro a Lula.
Claudio Souza Gouveia disse que por diversas vezes levou Palocci até o
Terminal da Aeronáutica em Brasília para levar a Lula presentes e outros
objetos.
Gouveia recordou que, entre os presentes, estavam caixas de uísque,
celulares e canetas.
Elas eram entregues por Palocci, que voltava minutos depois ao carro.
O motorista, no entanto, declarou que nunca soube se as caixas continham efetivamente os produtos.
Elas eram entregues por Palocci, que voltava minutos depois ao carro.
O motorista, no entanto, declarou que nunca soube se as caixas continham efetivamente os produtos.
Ele também disse ter visto o ex-ministro carregando grandes quantidades
de dinheiro em espécie.
Em algumas oportunidades, Palocci teria dito se tratar de documentos, mas fazia um gesto com os dedos que indicavam ser dinheiro.
Em algumas oportunidades, Palocci teria dito se tratar de documentos, mas fazia um gesto com os dedos que indicavam ser dinheiro.
De acordo com Gouveia, o ex-ministro tinha pressa ao fazer esses deslocamentos.
Já Carlos Alberto Pocente, que foi motorista do ex-ministro por 30
anos, afirmou se recordar de um episódio, entre aqueles que envolviam
dinheiro, no qual Palocci estava com muita pressa para levar uma caixa
de uísque até Lula, no Aeroporto de Congonhas.
Também afirmou que houve um episódio em que ele levou o ex-ministro,
que estava com uma maleta vazia, a um banco.
Na volta, segundo o motorista, a maleta estava visivelmente cheia.
Em seguida, conforme o depoimento de Pocente, eles foram para a sede do Instituto Lula.
Na volta, segundo o motorista, a maleta estava visivelmente cheia.
Em seguida, conforme o depoimento de Pocente, eles foram para a sede do Instituto Lula.
Esta reportagem está em atualização.
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