Greve dos caminhoneiros obrigou uma série de empresas a interromper as atividades e provocou escassez de produtos. Economistas dizem que impacto econômico é certo.
Por Luiz Guilherme Gerbelli, G1
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Greve de caminhoneiros (Foto: Reuters).
A greve dos caminhoneiros deve trazer dois impactos para a economia
brasileira: a piora da atividade econômica e um efeito pontual de
aumento nos índices de inflação de maio.
Os economistas consultados pelo G1 dizem
que ainda é cedo para dimensionar o tamanho do impacto causado pelo
movimento que se espalhou pelo País - até porque não é possível precisar
qual será a duração do protesto -, mas dizem que é certo que eles terão
reflexos econômicos.
O movimento obrigou uma série de empresas a interromper as atividades.
O
caso mais emblemático foi o das montadoras: na sexta-feira elas pararam as fábricas por causa da falta de peças e problemas de logística.
“Claramente esse movimento traz um efeito negativo para a economia”, afirma a economista e sócia da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro.
“Os efeitos mais evidentes serão em toda a linha de produção da
indústria, mas até mesmo em serviços deve respingar, como no segmento de
transporte”, diz.
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Montadoras de todo o país pararam as atividades na sexta-feira. (Foto: Inês Campelo/Jeep/Divulgação).
A piora de perspectiva para o cenário econômico por causa da greve dos
caminhoneiros ocorre num momento bastante delicado.
Os números
divulgados até agora mostram que o desempenho da economia está mais
fraco do que o esperado, o que já levou os analistas a reduzirem a projeção para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano.
No último relatório Focus, do Banco Central, os analistas consultados
esperam um crescimento de 2,50% em 2018.
Há quatro semanas, a
expectativa era de alta de 2,75%.
“Se essa situação se prolongar, ela já começa em colocar em risco até o
crescimento de cerca de 2,5% que se esperava para o fechamento de
2018”, afirma o sócio-diretor da consultoria MacroSector, Fabio
Silveira.
Na sexta-feira (25), o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, admitiu que a greve tem um impacto muito relevante na economia.
Preços devem ter impacto pontual
Parte dos analistas também espera um impacto pontual na inflação.
A
greve provocou escassez de vários produtos, o que levou a um aumento
recente dos preços de alimentos e combustíveis.
Quando há falta de
oferta de produtos, a tendência no mercado é de alta de preços.
Se a
greve afetar outros setores, outros segmentos também poderão ser
afetados.
"É bastante possível que essa greve traga impactos no curto prazo", afirma o economista da consultoria GO Associados.
“Por causa da escassez, os preços de alimentos e combustíveis devem ser os mais impactados.”
O aumento esperado para a inflação, no entanto, não deve alterar as
projeções para o ano .
Com a fraqueza da economia, a inflação de
serviços está mais baixa do que o esperado e, portanto, há margem de
manobra para absorver qualquer choque pontual.
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Ceasa de Brasília enfrenta desabastecimento no 5º dia da greve de caminhoneiros (Foto: EVARISTO SA / AFP).
A GO Associados, por exemplo, espera que o Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) de maio fique em 0,22% - a projeção não inclui
os impactos da greve - e encerre o ano em 3,6%, bemabaixo da meta do
governo, que é 4,5%.
Os efeitos na economia causados pela greve podem ser mitigados se o
movimento tiver uma curta duração, segundo os analistas.
Se isso
ocorrer, é provável que os indicadores de junho tenham um desempenho
acima do esperado e possam compensar parte das perdas de maio na
produção e o aumento pontual da inflação.
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