Policiais federais encontraram mais de 30 mil arquivos ilícitos na casa dele, em Guarujá, no litoral paulista. Defesa tentou provar insanidade mental do condenado.
Por José Claudio Pimentel, G1 Santos
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Ator Cyro Ramos Nogueira Filho morava em Guarujá, no litoral de São Paulo (Foto: Arquivo Pessoal).
O ator Cyro Ramos Nogueira Filho, de 54 anos, foi condenado pela
Justiça Federal a 95 anos e dois meses de prisão por estupros e por
produzir e compartilhar imagens contendo pornografia infantil.
Na casa
dele, em Guarujá, no litoral de São Paulo, a Polícia Federal encontrou
mais de 30 mil arquivos ilícitos.
Ramos Filho, como é conhecido, também se denomina corista, dançarino e produtor de televisão, cinema e teatro.
Ele foi um dos alvos da segunda fase da Operação Glasnost, deflagrada
em julho de 2017, a partir do monitoramento de um site russo, utilizado para a troca de fotos e vídeos de exploração sexual infantil.
Durante o cumprimento de mandados de busca no imóvel, policiais
encontraram e apreenderam computadores, celulares e material impresso
expondo menores de 18 anos.
O ator foi preso na ocasião pelo flagrante, e
também por ordem judicial, uma vez que já havia a comprovação de crimes
cibernéticos.
O trabalho pericial verificou que Cyro armazenava nos eletrônicos 987
vídeos e 29.608 fotos contendo cenas de sexo explícito envolvendo
crianças ou adolescentes.
Os peritos encontraram provas evidentes de que
ele também gravou imagens, que foram posteriormente compartilhadas por
meio do site internacional.
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Na casa do ator em Guarujá, SP, policiais encontraram 30 mil arquivos ilícitos (Foto: Divulgação/Polícia Federal).
A partir da continuidade das investigações, um menino de 3 anos foi
identificado como vítima de constantes abusos sexuais cometidos pelo
ator.
A criança ficava sob os cuidados dele, na ausência dos pais, que
declararam não desconfiar de qualquer situação, mesmo após reclamações
feitas pelo próprio filho.
Em um videoclipe produzido pelo ator, com legendas em inglês,
intitulado por ele "My little princess in training - A new life of a
sissy toddler boy" (Minha pequena princesa em treinamento - A nova vida
de um menino mariquinha), a criança aparece sendo estuprada.
O menino
foi obrigado a vestir roupas femininas.
Em uma foto impressa, entre as dezenas com pornografia infantil
apreendidas na residência, os policiais federais conseguiram identificar
outro menino, que foi criado pelo então investigado.
O ator tem dois
filhos, que já não viviam com ele, e que negaram à polícia terem sido
abusados sexualmente enquanto crianças.
O resultado da investigação, que sustentou a denúncia apresentada pelo
Ministério Público Federal (MPF) à Justiça, também identificou perfil
sadomasoquista de Ramos Filho que aparece em imagens utilizando fraldas e
roupas femininas infantis.
E-mails, trocados com estrangeiros,
reafirmaram o perfil criminoso dele.
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Fraldas e roupas de crianças foram encontradas na casa do ator (Foto: Divulgação/Polícia Federal).
Nas mensagens interceptadas e traduzidas pelas equipes da Polícia
Federal, foi possível constatar que Ramos Filho ministrava, à distância,
treinamento sobre como estuprar crianças a estrangeiros conectados a
uma rede de pornografia infantil.
Os e-mails que ele mantinha com nomes
falsos serviam para trocar instruções, além de imagens.
O ator negou as acusações, disse que parte dos arquivos encontrados na
residência pertencem a um inquilino e que algumas imagens dos
computadores eram utilizadas por ele para atrair pedófilos, que seriam
depois denunciados às autoridades.
A defesa também tentou provar à
Justiça a insanidade mental dele.
Após a denúncia apresentada pela Procuradoria, o juiz federal Roberto
Lemos dos Santos Filho, da 5ª Vara Federal de Santos, condenou Cyro na
quarta-feira (23).
O ator, que está preso desde a deflagração da
operação policial, ficou impedido na decisão de responder aos crimes em
liberdade e também terá que pagar multa.
O parecer ainda cabe recurso no Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região.
O G1
não conseguiu localizar a defesa do condenado.
A Procuradoria também
não informou se vai recorrer para eventual aumento de pena.
O menino,
que foi identificado nos vídeos gravados, atualmente passa por
acompanhamento psicológico.
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Em portfólio público na internet, Ramos Filho mantém imagens de trabalhos feitos (Foto: Arquivo Pessoal).
Site russo.
O monitoramento de um site russo, utilizado por estrangeiros como um
ambiente virtual de compartimento de arquivos de exploração sexual
infantil, foi o ponto base de investigação da Polícia Federal em todo o
Brasil.
O trabalho identificou "centenas de usuários" no país que
compartilhavam pornografia infantil.
Os investigados, ainda segundo a polícia, produziam, armazenavam e
compartilhavam fotos e vídeos de bebês, crianças, adolescentes que eram
abusados sexualmente.
Em todo o Brasil, 350 policiais federais cumpriram
76 ordens judiciais para buscar e apreender eventuais provas, e prender
suspeitos já identificados.
O nome da operação, que estava na segunda etapa, refere-se ao termo
russo que significa "transparência".
A denominação foi escolhida, pois
os então investigados utilizavam servidores do site hospedado na Rússia
para compartimento de imagens ilícitas de pedofilia.
A primeira fase da
Glasnost ocorreu em novembro de 2013, quando foram presas 30 pessoas.
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