Publicitário diz que Jezy de Souza morreu acidentalmente ao bater a cabeça.
Perícia mostra que vítima não sofreu golpe no crânio.
Um laudo preliminar da Polícia Técnico-Científica afirma que o zelador Jezy de Souza, de 63 anos, não sofreu golpes na cabeça.
O resultado da perícia desmente versão do suspeito do crime, o publicitário Eduardo Martins, de 47 anos, de que a vítima morreu acidentalmente após bater a cabeça no batente de uma porta durante discussão.
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O documento prelimina afirma que o zelador não sofreu traumatismo
craniano. A polícia suspeita que o publicitário premeditou o assassinato e a mulher dele, a advogada Ieda Martins, de 42 anos, usou seus conhecimentos em Direito para ajudar o marido a sumir com o corpo sem que eles pudessem ser considerados suspeitos.
Martins admite que tentou se desfazer do corpo do zelador.
Imagens do circuito interno do prédio onde o suspeito morava e a vítima trabalhava mostra o publicitário entrando no elevador com a bagagem.
Dentro da mala estava o cadáver do zelador.
O suspeito levou o corpo até uma casa em Praia Grande e, lá, esquartejou e queimou partes do corpo.
Nesta sexta-feira, o corpo da vítima foi enterrado em um cemitério em São Paulo.
A Polícia Civil também encontrou documentos falsos dentro de uma mala.
O delegado Ismael Rodrigues disse que a polícia encontrou uma carteira de identidade e uma de motorista falsificadas.
Os nomes eram de outra pessoa, mas as fotos eram dele.
Também foram encontrados anestésicos e uma touca ninja.
Velório com caixão lacrado do zelador ocorreu nesta sexta (Foto: Peter Leone/Futura Press/Estadão Conteúdo)
RioO casal suspeito passou a ser investigado também por suposto envolvimento em outro crime, esse cometido no Rio de Janeiro há nove anos.
Eles são suspeitos de assassinar o ex-marido dela, o empresário José Jair Farias, no Rio em 2005.
Essas informações foram confirmadas nesta quinta-feira (5) ao G1 por policiais de São Paulo e pela assessoria de imprensa da Polícia Civil do Rio.
A equipe de reportagem não conseguiu localizar o advogado do casal, Marcello Primo, para comentar as suspeitas sobre seus clientes.
A Polícia Civil de São Paulo e a do Rio estão trocando informações a respeito das duas investigações.
Após a repercussão da morte do zelador, a polícia do Rio decidiu reabrir o caso do empresário morto a tiros – que havia sido encerrado sem apontar culpados pelo crime.
São Paulo
A polícia busca provas materiais, testemunhais e técnicas para concluir o inquérito e confirmar a suspeita de Eduardo ter cometido homicídio doloso e Ieda ocultação de cadáver.
O publicitário nega, no entanto, ter matado o zelador e alega que a morte foi acidental.
Argumenta que o idoso ameaçou matar o filho que ele tem com a advogada. Em seguida, os dois entraram em luta corporal e o funcionário bateu a cabeça e caiu morto.
Jezi teria morrido na última sexta-feira (30) no 11º do edifício da Rua Zanzibar, na Casa Verde, Zona Norte de São Paulo, onde ele trabalhava e onde o casal morava com o filho de 10 anos.
O publicitário contou que sua mulher e filho não estavam presentes no apartamento onde moram no momento em que o zelador morreu.
Alegando ter se desesperado, Eduardo escondeu o cadáver dentro de uma mala de viagem e desceu com ela até a garagem.
Sua mulher o esperava para ajuda-lo a coloca-la no porta malas do carro do casal.
Câmeras de segurança do condomínio gravaram o zelador saindo do elevador.
Depois registraram o publicitário entrando no elevador com a mala.
As imagens ainda mostram o casal guardando a mala no automóvel que estava na garagem.
A família do zelador registrou boletim de ocorrência de seu desaparecimento no sábado (31) no 13º Distrito Policial, Casa Verde.
Na segunda-feira (2), Eduardo foi preso em flagrante pela polícia em Praia Grande, no litoral paulista, queimando partes do corpo de Jezi numa churrasqueira.
Ele usou um serrote para esquartejar o cadáver.
Publicitário Eduardo Martins
(Foto: Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo)
(Foto: Marco Ambrosio/Estadão Conteúdo)
A sua defesa alegou que não há indícios de sua participação no crime. Mesmo negando qualquer envolvimento, a advogada continua sendo investigada.
Peritos da Polícia Técnico-Científica e policiais civis encontraram arma, cano, silenciador, munição, luvas cirúrgicas, estetoscópio e calçados e roupas com suspeita de sangue nas buscas e apreensões autorizadas pela Justiça.
Um revólver calibre 38 manchado de sangue, estava na mochila de Eduardo encontrada na casa do litoral.
O cano de uma pistola 380 e um silenciador foram encontrados no apartamento do casal.
O armamento estaria em situação irregular já que o casal não teria autorização para posse ou uso.
A polícia apura se o publicitário usou o revólver ou uma pistola para dar coronhadas na cabeça do zelador e quando e onde isso possa ter ocorrido.
Quem poderá confirmar essa suspeita será a perícia técnica do Instituto de Criminalística (IC). Até esta quinta-feira (5), o Instituto Médico Legal (IML) também não havia concluído o laudo necroscópico que vai apontar a causa da morte de Jezi.
Como os parentes do zelador não conseguiram reconhecer o corpo de Jezi, a investigação pediu a realização de um exame de DNA.
O resultado, que deverá sair dentro de um mês, servirá para comprovar que o cadáver é do idoso.
A filha e o irmão da vítima cederam material genético na quarta-feira, quando foram ao litoral.
Também está sendo analisada a radiografia de sua arcada dentária.
Advogada Ieda Martins (Foto: Reprodução/TV Globo)Rio
Em 2005, a vítima era ex-marido de Ieda, com quem teria tido um filho, agora com 18 anos.
Atualmente, ela é mulher de Eduardo, com quem também teve outro filho, este com 10 anos.
A polícia do Rio quer saber se alguma das armas teria sido usada para matar José.
O corpo dele foi encontrado com dois tiros na cabeça, dentro do carro que usava, na rua onde tinha uma empresa em sociedade com Ieda.
Na época, a advogada teria recebido um seguro pela morte do ex-marido, com quem ficou casada por mais de 10 anos.
Apesar de separados, Ieda e José ainda chegaram a disputar a guarda do filho e o destino dos bens que haviam acumulado durante o relacionamento que tiveram.
Quando terminou o casamento com José, Ieda engatou outro romance.
Este com Eduardo, que teria conhecido na internet em 2001.
Segundo a investigação, o publicitário se mudou para o Rio, onde passou a morar com a advogada.
Zelador Jezi Souza
(Foto: Reprodução/arquivo pessoal)
(Foto: Reprodução/arquivo pessoal)
Em 2005, foi a vez de Ieda dar queixa contra o empresário pelo fato de ele pegar o filho deles na escola sem o seu consentimento.
Em 20 de dezembro daquele ano, José foi encontrado morto dentro de seu automóvel, na Estrada dos Palmares, região de Santa Cruz.
Um projétil e um estojo de pistola 380 foram apreendidos no local.
Ieda e Eduardo teriam sido investigados na época, mas como nada foi provado contra eles, o caso foi encerrado sem apontar culpados pelo assassinato de José.
Existe a possibilidade de policiais da 36ª DP virem a São Paulo nesta sexta-feira (6) para falar com a investigação do 13º DP.
Eles talvez queiram ouvir o depoimento de Eduardo. Também pode ocorrer o contrário, de policiais paulistas seguirem para o Rio.
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