Aristides de Assis – Salvador(BA)
Meu caro Reinaldo, eu conheço a sua
trajetória.
Pelo menos muito do que você já publicou na web.
Tenho em
meus acervos alguns trabalhos seus, uns remontam 5, 4 anos atrás e
quando o assunto é UNIÃO CIVIL ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO ou
simplesmente CASAMENTO GAY, você tem sido taxativo, intransigente e o
tempo todo contra.
Só que os tempos mudaram Reinaldo.
A sociedade hoje
pensa de outra forma, a mídia inteira apoia a causa gay e até mesmo
muitos colegas seus pastores estão mudando de posição.
Qual a razão de
você insistir nessa postura tão homofóbica?
Afinal o que justifica um
homem que se diz pregador do evangelho ser contra uma forma de amor e do
legítimo direito de dois gays desejarem se casar?
Resposta
Olá Aristides.
Não posso iniciar minha
exposição sem que antes o agradeça por me acompanhar Por tanto tempo.
Fico feliz diante de sua constatação acerca de minha coerência ao longo
dos anos, pois eu mesmo não me perdoaria se fosse de um outro modo.
Em primeiro lugar discordo que sequer
possa existir algo que se chame “casamento gay”.
Isso é insustentável,
pois desvirtua a ideia pressuposta do que seja casamento ou "aliança".
Não é por eu ser uma criatura sexual, que sou apto a fundar uma aliança.
Casamento não combina com acasalamento, até porque para acasalar não é
preciso casar!
Os compromissos ou alianças são mais profundos.
São atos
de partilha simbólicos, cuja aliança (o anel) é o vestígio.
E não acho
que a união de fato seja a mesma coisa que casamento.
O “casamento” homossexual, portanto, não é casamento,
pelo simples fato de que chamar algo de casamento não faz disso um
casamento.
O casamento sempre foi uma aliança entre
um homem e uma mulher, ordenada por sua natureza à procriação e
educação dos filhos, assim como à unidade e bem-estar dos cônjuges.
Os
promotores do “casamento” homossexual propõem algo completamente
diferente.
Eles propõem a união entre dois homens ou duas mulheres.
Isso
nega as evidentes diferenças biológicas, fisiológicas e psicológicas
entre homens e mulheres, que encontram a sua complementaridade no
casamento.
Nega também a finalidade primária específica do casamento: a
perpetuação da raça humana e a educação dos filhos.
Duas coisas
completamente diferentes não podem ser consideradas como se fossem
iguais.
O preceito mais elementar da lei natural é que “o bem deve ser feito e
buscado e o mal deve ser evitado”.
Pela razão natural, o homem pode
perceber o que é moralmente bom ou mau.
Assim, ele pode conhecer o
objetivo ou finalidade de cada um de seus atos e como é moralmente
errado transformar os meios que o ajudam a realizar um ato em finalidade
do ato.
Qualquer situação que institucionalize a defraudação da
finalidade do ato sexual viola a lei natural e a norma objetiva da
moralidade.
Estando enraizada na natureza humana, a lei natural é
universal e imutável.
Ela se aplica da mesma forma a toda a raça humana.
Ela manda e proíbe de forma consistente, em todos os lugares e sempre.
O
Apóstolo Paulo, na Epístola aos Romanos, ensina que a lei natural está
inscrita no coração de todo homem (Rom 2,14-15).
O “casamento” homossexual sempre negará à
criança ou um pai ou uma mãe, e todos sabem que o melhor para a criança
é crescer sob a influência de seu pai natural e sua mãe natural.
Esta regra é confirmada pelas evidentes
dificuldades enfrentadas por muitas crianças órfãs ou criadas por só um
dos genitores, um parente, ou pais adotivos.
A lamentável situação
dessas crianças será a norma para todos os “filhos” de “casais”
homossexuais.
Esses “filhos” serão sempre privados ou de sua mãe natural
ou de seu pai natural.
Serão criados, necessariamente, por uma parte
que não tem nenhuma relação de sangue com eles.
Vão ser sempre privados
de um modelo paterno ou materno autênticos.
O chamado “casamento”
homossexual ignora essa necessidade de toda criança.
O “casamento” homossexual valida e
promove o estilo de vida homossexual Em nome da “família”, o “casamento”
homossexual serve para validar não só as referidas uniões, mas todo o
estilo de vida homossexual em todas as suas variantes, bissexuais e
transgêneros.
As leis civis são princípios que
estruturam a vida do homem na sociedade.
Como tais, elas desempenham um
papel muito importante, e por vezes decisivo, que influenciam os padrões
de pensamento e comportamento.
Elas configuram externamente a vida da
sociedade, mas também modificam profundamente a percepção de todos e a
avaliação de formas de comportamento.
O reconhecimento legal do
“casamento” homossexual necessariamente obscurece certos valores morais
básicos, desvaloriza o casamento tradicional e enfraquece a moralidade
pública.
O “casamento” homossexual transforma um
erro moral num Direito Civil.
Os ativistas homossexuais afirmam que o
“casamento” homossexual é uma questão de direitos civis, semelhante à
luta pela igualdade racial nos anos 1960.
Isso é falso.
Primeiro de tudo,
comportamento sexual e raça são realidades essencialmente diferentes.
Um
homem e uma mulher querendo casar-se podem ser diferentes em suas
características: um pode ser negro, o outro branco; um rico e o outro
pobre; ou um alto e o outro baixo.
Nenhuma dessas diferenças são
obstáculos insuperáveis para o casamento.
Os dois indivíduos são ainda
um homem e uma mulher e, portanto, as exigências da natureza são
respeitadas.
O “casamento” homossexual se opõe à natureza.
Duas pessoas do mesmo sexo,
independentemente da sua raça, condição financeira, estatura, erudição
ou fama, nunca serão capazes de se casar por causa de uma insuperável
impossibilidade biológica.
Em segundo lugar, características raciais
herdadas e imutáveis não podem ser comparadas com comportamentos
não-genéticos e mutáveis.
Simplesmente, não há analogia entre o
casamento inter-racial de um homem e uma mulher e o “casamento” entre
duas pessoas do mesmo sexo.
O “casamento” homossexual não cria uma
família, mas sim apenas uma união naturalmente estéril.
O casamento
tradicional é geralmente tão fecundo, que aqueles que querem frustrar o
seu fim tem de fazer violência à natureza para impedir o nascimento de
crianças, usando a contracepção (aborto).
Ele tende, naturalmente, a
criar famílias.
Já o “casamento” homossexual é
intrinsecamente estéril.
Se os “cônjuges” querem ter um “filho”, eles
devem contornar a natureza por meios caros e artificiais ou empregar
maternidade de substituição [“mães de aluguel”].
A tendência natural de
tal união não é criar famílias.
Portanto, não podemos chamar de
casamento a união de pessoas do mesmo sexo e dar-lhe os benefícios e o
reconhecimento do casamento verdadeiro.
O “casamento” homossexual desvirtua a razão pela qual o Estado beneficia o casamento
Uma das principais razões pelas quais o
Estado confere inúmeros benefícios ao casamento é que, por sua própria
natureza e desígnio, o casamento proporciona as condições normais de uma
atmosfera estável, afetuosa, e moral, que é benéfica para a educação
dos filhos, frutos do mútuo afeto dos pais.
Ele ajuda a perpetuar a
nação e fortalecer a sociedade, o que é um evidente interesse do Estado.
O “casamento” homossexual não fornece essas condições.
Seu desígnio
principal, objetivamente falando, é a gratificação pessoal de duas
pessoas, cuja união é estéril por natureza.
Não tem direito, portanto, à
proteção que o Estado concede ao casamento verdadeiro.
O “casamento” homossexual impõe
forçosamente a sua aceitação por toda a sociedade.
Ao legalizar o
“casamento” homossexual, o Estado se torna o seu promotor oficial e
ativo.
O Estado exige que os servidores públicos celebrem a nova
cerimônia civil, ordena as escolas públicas a ensinarem sua aceitação
pelas crianças, e pune qualquer funcionário que manifeste sua
desaprovação.
Na esfera privada, pais contrariados vão ver seus filhos
expostos mais do que nunca a esta nova “moralidade”; as empresas que
oferecem serviços de casamento serão obrigadas a fornecê-los a uniões de
pessoas do mesmo sexo; e proprietários de imóveis terão de concordar em
aceitar “casais” homossexuais como inquilinos.
Em todas as situações em
que o casamento afete a sociedade, o Estado vai esperar que os cristãos
e todas as pessoas de boa vontade traiam suas consciências, impondo,
por silêncio ou ação, um ataque à ordem natural e à moral cristã.
O “casamento” homossexual é a moda líder
da nova revolução sexual.
Na década de 1960, a sociedade foi
pressionada para aceitar todos os tipos de relações sexuais imorais
entre homens e mulheres.
Hoje estamos presenciando uma nova revolução
sexual, na qual a sociedade está sendo impelida a aceitar a sodomia e o
“casamento” homossexual.
Se o “casamento” homossexual for universalmente
aceito como a etapa presente da chamada “liberdade” sexual, que
argumentos lógicos podem ser usados para deter as próximas etapas: do
incesto, pedofilia, bestialidade e outras formas de comportamento
antinatural?
Com efeito, os elementos radicais de certas subculturas de
modismo sexual já estão defendendo essas aberrações.
A insistência na
imposição do “casamento” homossexual torna cada vez mais claro que o
movimento gay, quer o admitamos ou não, não é um movimento de direitos
civis, nem mesmo um movimento de libertação sexual, mas uma revolução
moral destinada a mudar a visão das pessoas sobre a homossexualidade e
uma clara oposição a toda forma de influência judaico-cristã nesse
sentido.
Por fim eu diria que “casamento”
homossexual ofende a Deus.
Esta é a razão mais importante porque sou
contra tamanha depravação.
Sempre que se viola a ordem moral natural
estabelecida por Deus, comete-se um pecado e se ofende a Deus.
O
“casamento” homossexual faz exatamente isso.
Assim, quem professa amar a
Deus deve opor-se a tal prática.
O casamento não é criação de nenhum
Estado.
Pelo contrário, ele foi estabelecido por Deus no paraíso para os
nossos primeiros pais, Adão e Eva.
Como lemos no Livro do Gênesis:
“Deus criou o homem à sua imagem; criou-o à imagem de Deus, criou o
homem e a mulher.
Deus os abençoou: Frutificai, disse ele, e
multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a” (Gen 1, 27-28).
O mesmo foi ensinado por Nosso Senhor
Jesus Cristo: “No princípio da criação, Deus os fez homem e mulher.
Por
isso, deixará o homem pai e mãe e se unirá à sua mulher” (Mc 10, 6-7).
O
Gênesis também ensina como Deus puniu Sodoma e Gomorra, por causa do
pecado da homossexualidade: “O Senhor fez então cair sobre Sodoma e
Gomorra uma chuva de enxofre e de fogo, vinda do Senhor, do céu.
E
destruiu essas cidades e toda a planície, assim como todos os habitantes
das cidades e a vegetação do solo” (Gen 19, 24-25).
Importante também ressaltar, meu amigo
Aristides, que ao escrever esta declaração, não temos qualquer intenção
de difamar ou menosprezar ninguém.
Não somos movidos pelo ódio pessoal
contra nenhum indivíduo.
Ao nos opormos intelectualmente a indivíduos ou
organizações que promovem a agenda homossexual, nosso único objetivo é
defender o casamento tradicional, a família, e os preciosos preceitos da
fé cristã.
Ressalto também que estamos cheios de
compaixão e oramos em nome de Jesus por todos aqueles que lutam contra a
tentação implacável e violenta do pecado homossexual.
Oramos em nome de Jesus por aqueles que
caem no pecado homossexual por causa da fraqueza humana: que Deus os
ajude com Sua graça.
Estamos conscientes da enorme diferença
entre essas pessoas que lutam com suas fraquezas e se esforçam por
superá-las, e outros que transformam seus pecados em motivo de orgulho e
tentam impor seu estilo de vida à sociedade como um todo, em flagrante
oposição à moralidade cristã tradicional e à lei natural.
No entanto, oramos por estes também.
Nossas orações também se estendem pelos juízes, legisladores e
funcionários dos governos que, de uma forma ou de outra, tomam medidas
que favorecem a homossexualidade e o “casamento” homossexual.
Não
julgamos suas intenções, disposições interiores, ou motivações pessoais.
Rejeitamos e condenamos qualquer forma
de violência.
Simplesmente exercitamos a nossa liberdade de filhos de
Deus (Rom 8:21) e nossos direitos constitucionais à liberdade de
expressão e à manifestação pública, de forma aberta, sem desculpas ou
vergonha da nossa fé cristã.
Nos opomos a argumentos também com
argumentos.
Aos argumentos a favor da homossexualidade e do “casamento”
entre pessoas do mesmo sexo, respondemos com argumentos baseados na reta
razão, na lei natural e na Divina Revelação da Palavra de Deus.
Em uma declaração polêmica como esta, é
possível que uma ou outra formulação possa parecer excessiva ou irônica.
Caso isso tenha ocorrido, afirmo que essa não é a nossa intenção.
Que Deus o abençoe!

