“Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de
salgar?
Para nada mais presta senão para se
lançar fora e ser pisado pelos homens.”
(Mateus 5:13)
am
O Sermão da Montanha é uma das
propagações teológicas mais fenomenais de toda história.
Não
só por ter sido proferida pelo Mestre dos mestres, mas por seu conteúdo
absolutamente fantástico, perfeito e completo, quando se tem por referencial a
conduta cristã e toda sua conjuntura.
As
aplicações são várias e uma em especial nos chama muita atenção: o sal, sua
originalidade e sua utilidade.
O
caráter único do sal
Que
se apresente qualquer outro elemento natural ou manufaturado capaz de
desempenhar as mesmas funções do sal.
Elementos
conservantes ou condimentos capazes de promover sabor até podem ser achados em
nosso meio, porém nada com poder e eficácia equivalentes ao sal, o qual pode
ser facilmente identificado e diferençado em relação a tudo quanto a ele se
proponha assemelhar. Ser “sal”, portanto, é ser único, diferente.
Um
cristão que possui caráter, atitudes, palavras ou mesmo aparência que o
assemelhe às pessoas do mundo, jamais poderá ser considerado um sal.
Quem
é o sal da Terra?
Jesus
afirmou: “Vós sois o sal da Terra”.
Obviamente
suas palavras foram dirigidas de forma objetiva e contundente aos seus
discípulos e todos aqueles cujo coração se voltava de maneira obediente à Sua
Palavra.
Portanto,
todos os que são nascidos em Cristo, são o sal da terra.
As
diferenças internas do sal
O
homem impõe padrões de qualidade ao
sal quando este é analisado na condição de produto industrializado.
Esses
padrões são definidos conforme o seu teor de pureza.
Lamentavelmente
assim também ocorre no meio cristão.
Temos
sal de todos os tipos e prazos de validade.
Alguns
atuam por determinado tempo de forma eficaz,outros mesmo atuando não estão
qualificados para corresponderem ao que deles se espera.
Fatores
que determinam a qualidade do sal cristão
Sendo
o sal um elemento original, deduzimos que o cristão deva ser igualmente um ser
separado de todas as influências que possam comprometer a pureza e essência de
seu compromisso com Deus.
Quando
puro, o sal conserva e dá sabor de forma profundamente eficaz.
Quando
misturado a impurezas, o sal não só deixa de cumprir suas finalidades, como
também pode agravar e adiantar o processo de deterioração daquilo que ele
deveria manter.
Por
que a Igreja moderna já não interfere positivamente no mundo em que vive?
A
igreja moderna passa por uma crise de identidade teológica, sociológica e
moral.
Os
frutos decorrentes dessa crise são tão evidentes quanto seu próprio estado de
estagnação missionária.
A
face flagrante dessa crise se apresenta numa compostura híbrida que confunde o
olhar de todo aquele que pretende identificar a imagem cristã, tal como nos é
apresentada nos padrões bíblicos.
Em
tempos modernos, pouca ou nenhuma é a diferença entre cristãos e não
cristãos.
Isso
se revela nos campos da comunicação, da suposta evangelização, da pregação
pública, das estratégias de crescimento, do testemunho individual e da
musicalidade eclesiástica – sendo essa última já completamente absorvida pelo
mercado fonográfico, como sendo tão somente um estilo a mais para ser consumido
pelo gosto pessoal.
Não
havendo a evidência que diferencia luz e trevas, consequentemente não haverá
também a atuação contundente do sal.
Muito
além da abordagem moral
Bem
diferente do que pensam algumas correntes atuais, essa não é uma questão de
opinião.
A
geração cristã formada na última década tem sido vítima de um déficit teológico
gritante e na ilusória satisfação de sua mal nutrida alimentação bíblica, passa
a conceber pontos de vista contrários à sua realidade como sendo uma forma de
inimizade ao próprio evangelho.
Isso,
porém, não procede e cabe à liderança de real poder e conhecimento, ministrar
um retorno ao primeiro amor, onde o compromisso com Cristo Jesus passe por uma
predominante decisão de santificação, rompimento com a aparência do mal,
retorno à verdade bíblica conservadora e o bem estar diante de uma concepção de
vida que sirva de exemplo para o mundo e não de cópia flagrante do mesmo.
O
sal precisa conservar e dá sabor, mas se ele estiver em pé de igualdade com
outros elementos inferiores, naturalmente não terá meios de viabilizar sua
missão original.
A
utilidade do
sal
Para
que serve um sal insípido? Foi a pergunta feita por Jesus.
Para
que serve um cristão que não ganha almas?
Para
que serve uma igreja que não promove o impacto da salvação em sua
comunidade?
Para
que serve uma canção cristã que proporciona as mesmas emoções e reações geradas
pelas melodias seculares?
Para
que serve uma fé que não transforma o meio?
Para
que serve um rótulo denominacional que apenas serve de entulho religioso e nada
faz pela redenção de seu campo de atuação?
Para
que serve um filho de Deus que vive sob as mesmas condições de um ímpio sem
Deus?
Para
que serve um apanhado de rituais, programações, eventos, espetáculos e obras
humanas que não revogam a atuação galopante do mal sobre a face da Terra?
Para
que serve uma palavra positiva que não altera na prática a ordem negativa das
coisas?
Para
que serve, enfim, um sal insípido?
Jesus
responde: “Para nada mais presta senão para se lançar fora e ser pisado pelos
homens.”
O
sal pisoteado
E
é justamente isso que temos visto.
Um
sal pisoteado pelo mundo.
Uma
igreja sem crédito, envolta em denúncias de crimes financeiros, de especulações
desmoralizantes ou de uma imagem associada à pobreza de lucidez e
coerência.
Não
é dessa igreja que o mundo precisa.
Os
arsenais de loucura, de fundamentalismo, de sincretismo e de descompromisso com
o testemunho não são úteis e sim danosos ao papel e à imagem da igreja.
Qual
é a sua escolha?
Se
você pretende e se enxerga como sal, então me diga: que tipo de sal você é?
Um
sal com prazo de validade?
Um
sal com padrão de qualidade inferior?
Um
sal insípido, que não atua na história de sua gente?
Que
não arranca almas do inferno?
Que
não exemplifica em seu próprio testemunho o novo nascimento cristão?
Ou
será que você é um sal de alto teor de qualidade cristã?
Ou
seja, sal munido de autoridade, portador de vida que não pode ser convencida de
pecado, que se orgulha (mas não se envaidece) da sua singularidade espiritual,
fazendo uso humilde e bíblico dessa condição para fornecer notáveis exemplos ao
mundo e fazendo dessa circunstância uma fabulosa plataforma de evangelização.
Jesus
está em busca desse sal para a sua Igreja.
Fiéis, ativistas religiosos, membros ou agremiados estão em toda forma
de associação humana, mas a Igreja do Senhor é lugar de almas renascidas, de
homens e mulheres diferentes (lugar de Sal) - e não um clube a mais, que
vive, prega e pratica as mesmas coisas que se dão fora de seus portões!