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terça-feira, setembro 02, 2014

Juíza diz não se arrepender de soltar Cadu: 'Tomei todas as precauções'


Acusado de matar cartunista foi solto em 2013 e voltou a ser preso em GO.
Ele é suspeito de envolvimento em dois assaltos, um deles com morte.

 

Paula Resende e Fernanda Borges Do G1 GO
 
Juíza Telma Aparecida Alves diz que Cadu era acompanhado: 'Não tenho como prever' (Foto: Paula Resende/G1) 
Juíza Telma Aparecida diz que Cadu era acompanhado (Foto: Paula Resende/G1)
 
 
A juíza que concedeu liberdade, no ano passado, a Carlos Eduardo Sundsfeld Nunes, de 29 anos, conhecido como Cadu, assassino confesso do cartunista Glauco Vilas Boas e do filho dele, Raoni Vilas Boas, diz que não se arrepende da decisão. 

"Tomei todas as precauções que estavam ao meu alcance, os relatórios, os laudos médicos. 

Não acho que foi erro", disse Telma Aparecida Alves, da 4ª Vara de Execuções de Goiânia, em entrevista coletiva nesta terça-feira (2).

Cadu, que estava livre desde agosto de 2013 após ser diagnosticado com esquizofrenia, foi preso novamente na segunda-feira (1º), na capital, suspeito de um latrocínio e uma tentativa de latrocínio.

"Não tenho como prever o comportamento dos presos que cumprem medida de segurança, infelizmente aconteceu", afirmou a juíza.

A magistrada rebateu a crítica do advogado Alexandre Khuri Miguel, que defende os interesses de Beatriz Galvão Veniss, viúva de Glauco Vilas Boas e mãe de Raoni Ornelas, assassinados em 2010, em Osasco (SP). 

Ele disse que “ao soltar Cadu, a juíza escreveu a crônica de uma morte anunciada e permitiu uma nova morte”.  

Telma afirmou que “lamenta muito que ele tenha esse posicionamento”. 

“O juiz toma as decisões com base em fundamentos, documentos, atestados. 

O judiciário toma atitudes conforme a legislação”, disse ao G1.

A juíza ressaltou que Cadu era acompanhado mensalmente pela Justiça de Goiás e que "a vida dele estava controlada". 

"Ele fazia faculdade de psicologia e estava trabalhando como limpador de piscina. 

Ele foi a várias casas e não houve nenhum problema. 

Antes, ele chegou a trabalhar em uma empresa de telefonia, mas quando foram assinar a carteira de trabalho, viram que ele cumpria medida de segurança e não o contrataram", destacou a magistrada.

Cadu continuava a fazer tratamento contra esquizofrenia na rede pública de saúde do estado. 


A informação foi confirmada ao G1 pela superintendente de Políticas de Atenção Integral à Saúde, da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás, Mabel Bel Socorro. 

No entanto, diferente do que disse a juíza, a superintendente afirma que ele comparecia a um Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de três em três meses.“Temos registros de que ele continuava frequentando o Caps e, segundo a família, tomava a medicação corretamente e até estava trabalhando”, afirmou.

Mabel diz que, logo após ser transferido para Goiânia, o jovem foi incluído no Programa de Atenção Integral ao Louco Infrator (Paili), pelo qual passou por tratamento em uma clínica psiquiátrica.


“Foram feitas avaliações médicas que comprovaram que ele não precisava ficar recluso e ele foi encaminhado para o atendimento ambulatorial. 

A junta Oficial do Poder Judiciário também entendeu que ele poderia voltar ao convívio social, em agosto de 2013", disse.

Sobre os novos crimes pelos quais Cadu é suspeito, a juíza Telma Aparecida explicou que ele será indiciado como um criminoso comum. 


No entanto, em função da esquizofrenia, ele poderá ser absolvido.

“Ele vai ser levado a julgamento pelo juiz criminal. 

O juiz deve pedir novos laudos, até porque ele já é paciente de medida de segurança. 

Se, por acaso, o laudo atestar que no momento da conduta ele tinha condição de perceber o que estava fazendo, o juiz pode vir a condená-lo. 

Se ficar atestado que ele estava com algum distúrbio mental, poderá ser aplicada a medida de segurança novamente”, explicou a magistrada.
Cadu e comparsa presos pela polícia com carro roubado, em Goiânia (Foto: Paula Resende/G1) 
Cadu segue detido em delegacia de Goiânia (Foto: Paula Resende/G1)
 
 
Tratamento

A superintendente explica que os pacientes atendidos pelo programa, sejam eles suspeitos de crimes, ou não, sofrem de doenças psiquiátricas e recebem a mesma atenção. 


“Toda pessoa que sofre com essas doenças podem cometer crimes, por isso não existem distinção na rede de saúde. 

Muitas pessoas defendem os manicômios psiquiátricos, que são aqueles em que os pacientes ficam reclusos para o resto da vida, mas isso não é o ideal. 

A pessoa precisa ser tratada, não adianta ficar presa e continuar doente. 

Quando ela está bem, pode sim voltar ao convívio social, desde que mantenha o tratamento pelo tempo necessário”, ressaltou.

Mabel destacou que o Paili já tem 10 anos de atividades em Goiás e, dos 425 pacientes atendidos durante esse período, apenas dois, incluindo Cadu, voltaram a ser suspeitos de cometer crimes.

 “Nesse programa equipes multidisciplinares, formadas por psicólogos, psiquiatras, advogados, entre outros, fazem a avaliação mental e social do paciente. 

De todos os nossos atendimentos, apenas dois voltaram a ser suspeitos de reincidir em crimes. 

Sendo assim, é preciso ressaltar que o programa é eficiente”, destacou.

Prisão

Cadu foi preso na tarde de segunda-feira (1º), após uma perseguição policial em Goiânia.  


De acordo com o delegado Thiago Damasceno, ele dirigia um carro roubado quando foi abordado. 

Esse veículo havia sido levado durante o assalto no Setor Bueno, na noite de domingo (31), quando um jovem de 21 anos foi assassinado.

O delegado Thiago Damasceno diz que, na segunda-feira, notou o veículo em que estava Cadu em atitude suspeita e decidiu seguí-lo. 

“Eu tinha a placa e as características do Honda Civic que foi roubado no domingo de um jovem de Goianésia. 

E hoje, dirigindo pela cidade, eu avistei esse carro e comecei a persegui-lo. 

Eu pedi ajuda de um guarda municipal. 

Ao perceber que estava sendo seguido, ele subiu na calçada e tentou fugir, mas acabou batendo no muro e foi rendido”, disse o delegado ao G1.

Segundo ele, Cadu atirou contra os policiais, mas ninguém se feriu. 


Em seguida, o suspeito tentou fugir, mas foi rendido por policiais militares que passavam pelo local. 

Com ele, a polícia apreendeu um revólver calibre 38 prateado, mesma descrição da arma que matou o rapaz.

Carlos Eduardo Sundfeld Nunes foi preso suspeito de latrocínio em Goiânia, Goiás (Foto: Divulgação/PM) 
Cadu estava machucado quando foi preso em Goiânia (Foto: Divulgação/PM)
 
 
Crimes

Cadu é suspeito de envolvimento na tentativa de latrocínio de um agente prisional, de 45 anos, no último dia 28, no Setor Bueno. 


Câmeras de segurança registraram o momento em que, segundo a Polícia Civil, Carlos Eduardo foge após atirar na vítima.

Nas imagens divulgadas pela polícia goiana, é possível perceber o momento em que um homem desce de um Honda City e caminha pela Rua T-28, na capital. 


Para o delegado Thiago Damasceno, o rapaz que aparece nas imagens é Cadu.

No vídeo, é possível perceber quando uma VW Saveiro para no meio da via. 

De acordo com as investigações, nesse momento, o suspeito deu voz de assalto. 

O agente prisional reagiu e foi baleado na cabeça. 

Depois, o criminoso volta correndo em direção ao carro que o dava cobertura durante a ação. 

Segundo a corporação, duas pessoas reconheceram Cadu como sendo o autor dos disparos contra o agente prisional. 

A vítima foi socorrida e encaminhada para o Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo).

O Hugo informou, nesta manhã, que agente prisional segue internado em estado grave, na Unidade de Terapia Intensiva do hospital e respira com a ajuda de aparelhos.

Cadu também é suspeito de envolvimento em um latrocínio contra um jovem de 21 anos, no último domingo (31), no Setor Bueno, em Goiânia. 


A vítima havia deixado a namorada em casa, quando foi abordada por dois homens, que deram voz de assalto. 

Um dos criminosos atirou contra o rapaz, que morreu ainda no local. 

Os assaltantes fugiram levando o carro roubado.

O delegado afirma que o jovem negou ter cometido os crimes, mas admitiu ter conhecimento de que o carro em que estava quando foi preso, um Honda Civic, era roubado. 

"Ele parece mais ser dissimulado do que deficiente mental. 

Creio que ele não tem condições de viver em sociedade", destacou.

segunda-feira, setembro 01, 2014

Ricardo Menezes Filho deixou um novo comentário sobre a sua postagem "Pastor Everaldo (PSC) teria pedido R$ 20 milhões a...":

Prêmio sensacionalista criativo do ano vai para esse blog sem dúvida, quanta besteira reunida, alianças políticas infelizmente são necessárias para que você possa ter mínimas chances de se eleger e todo político sabe disso, acontece que o próprio Pastor Everaldo que vocês colocam na história imaginaria de vocês, defende o fim das coligações políticas.

'Não esperava essa reação', diz neto de idosa que matou assaltante no RS


Mulher de 78 anos, proprietária de mercado, atirou em jovem no sábado.
Polícia Civil diz que mulher está abalada, mas vai prestar declarações.

 

Sabrina Ongaratto e Luiza Carneiro Do G1 RS
Neto de idosa diz que família está surpresa com atitude (Foto: Reprodução/RBS TV) 
Neto de idosa diz que família está surpresa com atitude (Foto: Reprodução/RBS TV)
 
 
Passado o susto, o neto da idosa de 78 anos que matou um assaltante em São Lourenço do Sul, na Região Sul do Rio Grande do Sul, conta que a mulher já está em casa descansando. 

Ela atirou contra um jovem de 24 anos que tentou assaltar seu mercado, a Padaria da Vovó, na noite de sábado (30). 

De acordo com Régis Alexandre Klumb, a avó é dona do local há cerca de 50 anos e estava com um cliente no momento do ataque.

"Agora ela está em casa, já saiu do hospital

A família se surpreendeu. 

Não esperava essa reação dela. 

Ela está bem, mas um pouco abalada", contou Klumb.

Na manhã deste domingo (31), o Instituto Geral de Perícias foi até o local. 

Conforme a Polícia Civil, a idosa relatou que estava atendendo um cliente quando o assalto foi anunciado. 

Ela pegou uma arma que guardava no mercado e atirou contra o jovem, atingindo pescoço e braço. 

Ele chegou a ser atendido e levado ao hospital, mas morreu momentos depois.

O jovem não tinha ficha criminal.
Técnicos do IGP trabalharam no local do crime neste domingo (31) (Foto: Reprodução/RBS TV) 
Técnicos do IGP trabalharam no local do crime neste
domingo (31) (Foto: Reprodução/RBS TV)
 
 
Segundo o órgão, a idosa disse que a arma usada foi guardada após um cliente esquecer no mercado. 

Ela informou que encontrou o objeto e resolveu guardar. 

Há 10 anos, em outro assalto, criminosos tentaram afogá-la em um vaso sanitário, de acordo com o neto.

"Ela está bem abalada ainda, então depende do estado dela para podermos interrogar", contou a delegada Paula Vieira ao G1.

"Ainda não posso apontar qual crime ou se ela vai responder. 

Tudo depende do curso do inquérito, das circunstâncias. 

Existe uma morte. 

Ela se defendeu. 

Vamos averiguar tudo", completou.
Idosa de 78 anos matou assaltante em São Lourenço do Sul, RS (Foto: Reprodução/RBS TV)Idosa de 78 anos matou assaltante em São Lourenço do Sul, RS (Foto: Reprodução/RBS TV)
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Falta d'água em cidades tem a ver com devastação desenfreada da Amazônia


Chuvas que recarregam reservatórios da região Sudeste são oriundas da Amazônia. 

Árvores são ‘toque final’ da máquina biológica que produz chuvas.

 

O chão foi o destino de 20% das árvores da Floresta Amazônica original. 

Que isso vem acontecendo há anos, todos sabem. 

O que você provavelmente não sabe é que esse crime ambiental tem a ver com a falta d'água na maior cidade da América Latina. 

É que a Amazônia bombeia para a atmosfera a umidade que vai se transformar em chuva nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil

Quanto maior o desmatamento, menos umidade e, portanto, menos chuva. 

E sem chuva, os reservatórios ficam vazios e as torneiras, secas.
É guerra contra a cobiça. 

No coração da Amazônia, o exército formado pelo Ibama, pela Funai e pela Polícia Federal atinge mais um alvo. 

Garimpeiros presos, madeireiros multados, equipamentos destruídos. 

E a prova do crime apreendida. 

Esse é o front de um conflito que já dura pelo menos quatro décadas no Brasil. 

Desde que as primeiras estradas rasgaram a floresta para permitir a colonização. 

Caminhos que acabaram facilitando também o acesso de exploradores gananciosos e sem escrúpulos. 

Um crime ambiental que ainda está longe do fim.

Uma árvore que leva mais de 100 anos para crescer. 

E que em menos de um minuto, já pode estar derrubada. 

E o pior é que a madeira nem é aproveitada. 

Nesse tipo de desmatamento, o objetivo é simplesmente derrubar tudo, tocar fogo e transformar a área em pastagem para a criação de gado. 

Um crime ambiental que geralmente só é notado pelos fiscais tarde demais, quando a floresta já virou carvão.
 
Clareiras somam área maior que França e Alemanha juntas
“Isso aqui é roubo de terras da União. 

Grileiros furtam a terra da União, praticam o desmate multiponto, vários pontos embaixo da floresta, dificultando o satélite de enxergá-lo.”, explica Luciano de Menezes Evaristo, diretor de proteção ambiental do Ibama.

O que os olhos poderosos dos satélites não veem, a floresta, lamentavelmente, sente: 20% das árvores da Amazônia original já foram para o chão. 

Restaram imensas clareiras que somam uma área maior que a França e a Alemanha juntas.

O Fantástico acompanhou, com exclusividade, a maior operação contra grileiros na Amazônia neste ano. 

Em uma conversa gravada pela Polícia Federal com autorização da Justiça, um dos presos admite que o interesse dos criminosos é apenas nas terras.

“Como a floresta lá é muito bruta, os troncos são muito grossos, então o custo é muito grande. 

São árvores antigas, árvores velhas”, ele diz.
 
Consequências da devastação estão próximas de todos
Derrubadas e garimpos deixam uma cicatriz gigantesca na mata que pode parecer um problema exclusivo de árvores e bichos, distante da maioria das pessoas. 

Mas a ciência e as novas tecnologias comprovam que as consequências da devastação estão muito mais próximas de todos nós.

Nascentes que já não vertem mais água. 

Represas com menos de 10% de sua capacidade original de armazenagem. 

Uma delas, por exemplo, perto de Mogi das Cruzes, no interior de São Paulo, deveria ter em um ponto uma profundidade de pelo menos cinco metros. Está agonizando. 

Mas o que a falta de água nesta região do país tem a ver com a Amazônia que fica a mais de 2 mil quilômetros de distância?

Tudo, absolutamente tudo, segundo cientistas que estudam as funções da floresta e as variações climáticas na América do Sul.

“Essas chuvas que ocorrem principalmente durante o verão, a umidade é oriunda da Amazônia. 

E essa chuva que fica vários dias é que recarrega os principais reservatórios da Região Sudeste.” explica Gilvan Sampaio, climatologista do Inpe.

Fantástico tem acesso exclusivo a relatório sobre futuro climático
O Fantástico teve acesso exclusivo ao relatório sobre o futuro climático da Amazônia que só vai ser divulgado oficialmente na Conferência Sobre o Clima em Lima, no Peru, no fim deste ano. 

O trabalho desenvolvido em parceria por cientistas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais e do Inpa, que investiga a Amazônia, reúne mais de 200 estudos e traça um minucioso roteiro das chuvas no continente sul-americano.

“Está mudando o clima. 

A gente vê isso acontecendo na Amazônia. 

Tem muitos trabalhos mostrando que a extensão da estação seca está se prolongando”, diz Antônio Nobre, pesquisador do Inpa.

De acordo com esse relatório, nos últimos 400 milhões de anos, a umidade que evapora dos oceanos é empurrada naturalmente pelos ventos para dentro dos continentes. 

Uma parte desse vapor vira chuva e cai, principalmente, sobre as grandes florestas na altura do Equador. 

O excesso de umidade segue empurrado pelos ventos, atravessa os continentes e acaba indo para o mar. 

Um ciclo que ao redor da Terra só tem uma exceção: a Amazônia.

Diferencial da Amazônia
O que torna a Amazônia diferente de todas as grandes florestas equatoriais do planeta é a Cordilheira dos Andes. 

Um imenso paredão, de 7 mil metros, que impede que as nuvens se percam no Pacífico. 

Elas esbarram na Cordilheira e desviam para o Sul.

“Esses ventos viram aqui e se contrapõem à tendência natural dessa região aqui de ser deserto. 

É uma região que produz 70% do PIB da América do Sul - região industrial, agrícola, onde está a maior parte da população da América do Sul”, explica Antônio Nobre, pesquisador do Inpa.

Mas de onde vem tanta água? 

Como funciona a fantástica máquina biológica que faz chover? 

Segundo os cientistas, o toque final cabe às árvores.

Fincadas a até 20 ou 30 metros de profundidade, as raízes sugam a água da terra. 

Os troncos funcionam como tubos. 

E, pela transpiração, as folhas se encarregam de espalhar a umidade na atmosfera.

Diariamente, cada árvore amazônica bombeia em média 500 litros de água.

A Amazônia inteira é responsável por levar 20 bilhões de toneladas de água por dia do solo até a atmosfera, 3 bilhões de toneladas a mais do que a vazão diária do Amazonas, o maior rio do mundo.


“Se você tivesse uma chaleira gigante ligada na tomada, você precisaria de eletricidade da Usina de Itaipu, que é a maior do mundo em potência, funcionando por 145 anos para evaporar um dia de água na Amazônia. 

Quantas Itaipus precisaria para fazer o mesmo trabalho que as árvores estão fazendo silenciosamente lá? 

50 mil usinas Itaipu”, explica Antônio Nobre.

“Rio voadores” cruzam o Brasil
Esse imenso fluxo de água pelos ares é chamado de "rios voadores". O Fantástico chamou a atenção para a importância desses rios já em 2007. 

Imagens feitas de um avião do projeto "rios voadores" revelam nuvens densas, carregadas de água, cruzando todo o Brasil.

Testes feitos em laboratório comprovaram: mais da metade da água das chuvas nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil e também na Bolívia, no Paraguai, na Argentina, no Uruguai e até no extremo sul do Chile vem da Amazônia.

Para os cientistas, uma prova irrefutável do papel dos Andes e da Floresta Amazônica no ecossistema do cone-sul é a inexistência de um deserto nessa região. 

Basta olhar o globo para constatar que na mesma latitude em volta do planeta tudo é deserto. 

Menos na América do Sul.
Os pesquisadores não têm dúvida: sem a Amazônia, os estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Rio Grande do Sul fatalmente seriam desertos também.

“Para quem está no Brasil, seja Porto Alegre ou Manaus ou São Paulo tem que saber que a água que consome em sua residência, uma parte dela vem da Amazônia e que por isso temos que preservar”, alerta Gilvan Sampaio.

Devastação bloqueia “rios voadores” em São Paulo.

As imagens dos satélites que acompanham a movimentação das nuvens de chuva comprovam que a grande seca que assola as regiões Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, em parte, está relacionada aos desmatamentos. 

No estado de São Paulo, por exemplo, a devastação da Mata Atlântica permite a formação de uma massa de ar quente na atmosfera. 

Tão densa que chega a bloquear os “rios voadores”, já enfraquecidos por conta do desmatamento na Amazônia. 

Represados no céu, eles acabam desaguando no Acre e em Rondônia, onde, este ano, foram registradas as maiores enchentes da história.

MP e Receita Federal entram na luta contra o desmatamento

Na luta contra o desmatamento, o Ibama, a Funai e a Polícia Federal acabam de ganhar mais um aliado: o Ministério Público, que passou a juntar dados da Receita Federal para poder enquadrar as quadrilhas também por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal, falcatruas que podem levar a mais de 10 anos de cadeia.

Pelas contas da Procuradoria da República no Pará, só a quadrilha presa na última operação desviou dos cofres públicos R$ 67 milhões em impostos. 

Um crime que mistura ganância e ignorância.

Fantástico: Quando você mete a motoserra em uma árvore que levou 100 anos para chegar daquele tamanho, não dá dó?
 

Homem: Não tem como a gente ter dó das coisas. 

Ninguém tem dó da gente também, né? 

Tem que desmatar para viver, né?

“Eu não sei se tá errado, não. 

Pra mim, está certo porque eu estou trabalhando. 

Enquanto os vagabundos ficam soltos na cidade, a gente tem que trabalhar escondido. 

Aí é difícil”, diz uma mulher.
 
Reflorestar áreas desmatadas antes que seja tarde
Um comportamento que bate de frente com os interesses de quem depende da Amazônia para produzir alimentos de forma legal.

“É do interesse do próprio agricultor ou produtor de gado ou de quem está querendo produzir energia que a floresta seja mantida. 

Porque ela é o que garante que tenha água necessária para essas atividades econômicas poderem existir”, diz o engenheiro florestal Tasso Azevedo.

Os gráficos do Inpe revelam que os desmatamentos na Amazônia já caíram aos níveis mais baixos das últimas duas décadas, mas ainda que tivessem sido completamente zerados, os cientistas não estariam tranquilos. 

Eles alertam que é preciso também reflorestar as áreas desmatadas antes que seja tarde.

“Existe um fato simples: se você tira floresta, você tira fonte de umidade, muda o clima. 

E nós tiramos floresta. 

Isso foi o que a gente fez nos últimos 40 anos. 

O clima é um juiz que sabe contar árvores, que não esquece e não perdoa”, afirma Antônio Nomes.

domingo, agosto 31, 2014

Pastor Everaldo (PSC) teria pedido R$ 20 milhões ao PT

Partido político, um negócio melhor que tráfico de drogas



Pastor Everaldo, aquele que se for eleito presidente vai vender a Petrobrás para combater a corrupção, comprou no próprio nome o PSC-Partido Social Cristão por R$ 20 milhões, a pedido e financiado pelo então governador Garotinho, que queria ter uma legenda auxiliar na sua candidatura à Presidência. 
 
Os dois brigaram algum tempo depois e o pastor ficou com o partido apenas para si na condição formal de vice-presidente. 
 
É negócio como poucos no Brasil. 
 
O investimento inicial foi dinheiro desviado de obras públicas e, no caso do PSC, dá um retorno só de Fundo Partidário a pequena fortuna de R$ 32 milhões anuais.

De dois em dois anos, nos períodos de eleição, a fortuna partidária cresce exponencialmente. 
 
Pastor Everaldo, como os donos de todos os partidos que se coligam em eleições proporcionais ou majoritárias, vende “seu” tempo de televisão para o líder da coligação. 
 
Às vezes a negociação não se completa por causa da ganância. 
 
De fato, Pastor Everaldo pediu ao PT R$ 20 milhões para se coligar com Dilma. 
 
A proposta foi recusada porque pareceu um excesso. 
 
(Aliás, R$ 20 milhões foi o que o PT na eleição de 2004 havia prometido a Roberto Jefferson, que disse ter recebido apenas R$ 4 milhões. 
 
A cobrança da diferença gerou um transtorno que veio a ser nacionalmente conhecido como mensalão!)

Indignado com a recusa do PT em comprar “seu” tempo na televisão para a disputa majoritária, o bravo pastor decidiu ele mesmo, a despeito de nunca ter tido cargo eletivo, lançar-se candidato nada menos do que à Presidência da República. 
 
Isso não diminui em nada sua renda. 
 
É que ele não tem só o Fundo Partidário e a venda de legenda para candidatura majoritária como fonte de renda pessoal na qualidade de dono absoluto do partido. 
 
O tempo de televisão é vendido também em todo o país para as eleições majoritárias e proporcionais locais, e parte da receita, milhões, vem para a presidência.

E não é só isso. 
 
O presidente do PSC em nível municipal contribui com R$ 5 mil para o presidente da legenda no nível estadual. 
 
No Estado do Rio, isso representa R$ 450 mil por mês. 
 
Desses, R$ 100 mil são encaminhados religiosamente para o presidente nacional, a saber, para o pastor Everaldo. 
 
E ainda não é só isso. 
 
Com o dinheiro do Fundo Partidário e da venda da legenda para a propaganda eleitoral, o partido nos últimos anos fez um considerável patrimônio imobiliário para suas sedes e outros serviços. 
 
Tudo está em nome do presidente ou de laranjas. 
 
O dinheiro reflui para o caminho certo, na forma de aluguéis, mês a mês.

Alguém poderá perguntar: como um presidente de partido em nível municipal consegue R$ 5 mil mensais para alimentar as caixas estadual e nacional?  
 
Muito simples, ensina o pastor Everaldo: nas eleições, os partidos “emitem” dinheiro, ou seja, bônus para contribuição por parte de empresas e pessoas físicas os quais podem ser abatidos do imposto de renda
 
Talvez você pergunte qual seria o interesse maior de uma empresa ou de uma pessoa física em contribuir para um partido em época de eleição, mesmo abatendo essa contribuição no imposto. 
 
Elementar, meu caro Watson. 
 
Como o bônus é deduzido do imposto de renda, nada impede que o “doador” compre 100 e o partido lhe devolva 50 na forma de dedução do imposto de forma a que ele embolse pessoalmente os outros 50 sacado diretamente do imposto pago ou a pagar.

O que estou contando é a história relativa a apenas um partido. 
 
Foi-me relatada por quem a ouviu diretamente do pastor Everaldo. 
 
Não lhe direi o nome, por enquanto, podendo revelá-lo em juízo na hipótese de o pastor Everaldo me processar por difamação. 
 
Quanto aos demais partidos, disse o que afirmou Marx em outro contexto: não investiguei os detalhes, mas de te fabula narratur (a fábula trata também de ti). 
 
Sim, porque todas as complexas negociações de alianças envolvendo 36 partidos políticos existentes no país, em época de eleição, é um festival inacreditável de patifarias com privatização de dinheiro público que acaba por financiar barbaridades inacreditáveis em tempo pago pelo povo para se fazer, por exemplo, a “promessa” em tempo nacional de televisão de vender a Petrobras.

Insista-se. 
 
O tempo de televisão que esses mercadores de legenda vendem uns para os outros é bancado diretamente pelo povo, pois as emissoras (e rádios) cobram as maiores tarifas pelo tempo de horário nobre transcorrido na propaganda eleitoral e as rebatem diretamente do imposto de renda. 
 
Aliás, é justamente porque isso se tornou uma fonte fácil de negócios da mídia, em horário nobre apresentado como “gratuito”, que praticamente não existe na imprensa crítica a esse sistema absolutamente imoral. 
 
É esse sistema espúrio, não o voto obrigatório, não a escolha entre parlamentarismo e presidencialismo que deveria ser visado numa reforma partidário. 
 
A rigor, teria que ser extinto, em nome da moralidade política brasileira. 
 
Do jeito que está é uma indecência, um acinte ao povo, e um estupro contra a democracia brasileira. 
 
Muitos se perguntam, ingenuamente, por que temos 36 partidos políticos no Brasil. 
 
A resposta é simples: porque ter partido, quando transformado em propriedade privada fora do controle de um diretório autêntico, dá a seus donos mais dinheiro que tráfico de drogas, sem os inconvenientes da ilegalidade.
 

J. Carlos de Assis - Economista, doutor em Engenharia de Produção pela Coppe/UFRJ, professor de Economia Internacional da UEPB, autor de mais de 20 livros sobre economia política brasileira.


Fonte: Blog Sol do Carajás.

Os Ipês de Parauapebas floridos no último dia de agosto de 2014.

















Pastor Davi Passamani abriu novo local de culto em fevereiro após renunciar cargo em igreja depois de investigações de crimes sexuais Polícia Civil disse que prisão preventiva foi necessária porque pastor cometeu crimes usando cargo religioso.

Advogado alegou que prisão do pastor faz parte de ‘conspirações para destruir sua imagem’. Por Thauany Melo, g1 Goiás 07/04/2024 04h00.    P...