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segunda-feira, dezembro 17, 2018

Decisão de Temer de extraditar Battisti é 'acertada', diz Moro

Futuro ministro da Justiça comentou o assunto durante entrevista coletiva no gabinete de transição. Presidente assinou decreto de extradição na semana passada; Battisti está foragido.

 

Por Guilherme Mazui e Roniara Castilhos, G1 e TV Globo — Brasília
O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro — Foto: Reprodução/TV Globo
O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro — Foto: Reprodução/TV Globo.

O futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, avaliou nesta segunda-feira (17) como "acertada" a decisão do presidente Michel Temer de assinar o decreto de extradição do italiano Cesare Battisti

Temer assinou o decreto na semana passada, um dia após o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, determinar a prisão de Battisti, atendendo a um pedido da Interpol. 

Battisti está foragido, e a Polícia Federal fez duas tentativas de captura do italiano nesta segunda, em São Paulo. 


A PF esteve em endereços informados por denúncias anônimas como possíveis esconderijos. 

"Na minha avalição, o asilo que foi concedido a ele [Battisti] anos atrás foi um asilo com motivações político-partidárias. 


Em boa hora isso foi revisto", disse o futuro ministro. 

"Não se pode tratar a cooperação jurídica internacional por critérios político-partidários, a decisão é acertada. 


Lamentavelmente essa pessoa se encontra foragida", acrescentou.
Moro deu as declarações durante uma entrevista coletiva na sede do governo de transição na qual anunciou a nova secretária nacional de Justiça

A defesa de Battisti já recorreu ao Supremo, pedindo a Fux que reconsidere a decisão ou leve o caso ao plenário, composto pelos demais dez ministros do tribunal. 


Luiz Fux ainda não decidiu sobre o pedido.

Mãos Limpas.

 

Até então responsável pela Operação Lava Jato, Sérgio Moro deixou de ser juiz para integrar o governo Jair Bolsonaro

O futuro ministro se diz admirador da Operação Mãos Limpas, que investigou um esquema de corrupção envolvendo políticos na Itália. 

"Os países têm que cooperar entre eles contra a criminalidade e o senhor Cesar Battisti foi condenado por homicídios na Itália. 


A Itália é um país que tem um Judiciário forte, independente, e não cabe ao Brasil ficar avaliando o mérito ou não da condenação", afirmou Moro.
Polícia Federal faz novas operações para tentar capturar Battisti
Polícia Federal faz novas operações para tentar capturar Battisti.

Entenda o caso Battisti.

 

A polêmica em torno de Battisti teve início durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva. 

Em 1993, Cesare Battisti foi condenado na Itália por quatro homicídios na década de 1970. 


Ele fugiu para o Brasil, e o governo italiano pediu a extradição. 

Em 2009, o Supremo Tribunal Federal julgou o pedido procedente, mas entendeu que a palavra final cabia ao presidente da República.

Lula, então, em 2010, negou a extradição de Battisti. 


No ano passado, a Itália pediu ao governo Michel Temer que o Brasil revisasse a decisão. 

Numa entrevista concedida à GloboNews, Battisti negou ser o responsável pelas mortes na Itália, afirmando que nunca matou ninguém.

João de Deus diz que recebeu ameaças antes de denúncias virem à tona e nega movimentação de R$ 35 milhões




Médium foi preso neste domingo (16). Ao todo, 15 mulheres já prestaram depoimento contra ele e mais de 300 o denunciaram ao Ministério Público. 

 

Por Paula Resende, G1 GO
Após se entregar a polícia, João de Deus nega abuso de mulheres
Após se entregar a polícia, João de Deus nega abuso de mulheres
O médium João de Deus, de 76 anos, disse à Polícia Civil que, antes de as denúncias de abuso sexual virem à tona, ele foi ameaçado por um homem, por meio de uma ligação de celular. 


Durante o depoimento, o médium negou os crimes e que tenha movimentado R$ 35 milhões nos últimos dias

“Eu tenho 50 pessoas para acabar com você.


Se você colocar 100, eu coloco 200 e, se você aumentar isso, eu coloco 1 mil.


Eu vou acabar com você”, relata João de Deus sobre ameaça recebida.


A TV Anhanguera teve acesso com exclusividade ao depoimento, que durou 3 horas, e ocorreu após a prisão do médium, neste domingo (16)


Além de João de Deus, estavam na sala três delegados, uma escrivã e três advogados do médium. 

Prisão e habeas corpus.

 

João de Deus teve a prisão decretada na sexta-feira (14) a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO). 


No domingo, ele se entregou à polícia em uma estrada de terra em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. 


O líder religioso está detido em uma cela de 16 m² no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. 

Nesta segunda-feira (17), a defesa dele protocolou um pedido de habeas corpus


O advogado Alberto Toron informou ao G1 que a intenção é que João de Deus tenha direito de prisão domiciliar enquanto o caso é investigado. 


Entre os argumentos está a idade, já que o preso tem 76 anos, e a saúde debilitada.
 João de Deus presta depoimento durante 3 horas — Foto: Vitor Santana/G1
João de Deus presta depoimento durante 3 horas — Foto: Vitor Santana/G1

Renda e operações financeiras.

 

No início do depoimento, João de Deus contou que ganha R$ 60 mil por mês, fruto da renda das sete fazendas que possui em Goiás. 


Ele afirmou também que extrai pedras preciosas em duas das propriedades, mas não sabe precisar o lucro com este trabalho.


O médium declarou ainda que possui carros e várias casas. 


Porém, não sabe a quantidade de imóveis porque alguns foram doados aos filhos. 

Até sábado (15), a polícia tinha procurado o médium em mais de 30 endereços sem sucesso. 


Ele já era considerado foragido pelo Ministério Público. 


A suspeita de que ele estava tentando ocultar patrimônio reforçou o pedido de prisão. 

Segundo o jornal "O Globo", as investigações apontam que o líder religioso retirou R$ 35 milhões de contas e aplicações financeiras desde que as primeiras denúncias de abuso sexual vieram à tona. 


Ele nega qualquer movimentação milionária e afirma que os decontos que ocorreram foram referentes ao pagamento de funcionários. 

Mediunidade.

 

Durante o depoimento, João de Deus contou como descobriu a mediunidade. 


Ele também detalhou o funcionamento da Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia, onde ele realiza os atendimentos espirituais. 


Os abusos, conforme as vítimas, teriam acontecido no locla. 

Nesta parte do interrogatório, ele citou que lá também conta com uma lanchonete e um laboratório farmacêutico no templo. 


O médium reforçou que os visitantes não sofrem coação para comprar os remédios e há auxílio a quem não tem condições financeiras de pagar.

“Todos os remédios são iguais, mas a energia presente é a indicada para cada um dos frequentadores”, disse o médium. 

De acordo com o investigado, ele dedica três dias da semana para os atendimentos espirituais e os demais para afazeres pessoais e econômicos. 
“Possuo uma missão, mas quem faz as curas é Deus”, relatou.
Abusos teriam ocorrido na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia — Foto: Murillo Velasco/ G1 
Abusos teriam ocorrido na Casa Dom Inácio de Loyola, em Abadiânia — Foto: Murillo Velasco/ G1

Atendimentos individuais.

 

João de Deus declarou que os atendimentos são coletivos. 


No entanto, em alguns casos há sessões individuais. 

“São as pessoas que o procuram em busca de atendimento individualizado e não há critério que utiliza para levar alguém para um atendimento individualizado, uma vez que são os frequentadores quem solicitam tal atendimento e não ele”, consta no depoimento.

O médium afirmou que possui uma sala na Casa Dom Inácio de Loyola, cuja porta é transparente. 


Ele declarou que “nunca trancou a porta para atendimentos e, muitas vezes, é o atendido quem a tranca”.

Segundo João de Deus, a sala também possui um sofá, um local para refeição e um banheiro. 


Ele contou também que há duas janelas na sala, uma geralmente fica aberta e a outra fechada. 
“Outras pessoas podem visualizar o interior [da sala] do exterior”, afirma o suspeito.

Questionado sobre as vítimas, ele se lembrou do atendimento a uma delas, que ocorreu em outubro deste ano. 


No relatório, ele afirma que a mulher estava acompanhado do namorado, que também frequenta a Casa Dom Inácio de Loyola, e que deu alguns quadros à visitante. 

"Ele sempre demonstrava ser uma pessoa pacata, tranquila em todas as suas respostas. 


Ele demonstrou uma reação de comportamento e alteração de voz e declinou que essa vítima seria uma pessoa que não merecia credibilidade, que tinha outros problemas e vinha ajudando ela há muito tempo", declarou a delegada Karla Fernandes, que integra a força-tarefa e o ouviu.
João de Deus está preso no Complexo de Aparecida de Goiânia
João de Deus está preso no Complexo de Aparecida de Goiânia


Investigação.

 

Apesar de João de Deus negar as acusações das vítimas, o delegado-geral da Polícia Civil, André Fernandes, afirma que os relatos de abusos durante atendimentos na Casa Dom Inácio de Loyola são muito contundentes. 


Até as 12h desta segunda-feira, 15 prestaram depoimento. 

"O interrogatório não consegue superar as denúncias, as oitivas das mulheres que narraram de forma tão segura e detalhada o que viveram. 


Somado com outras provas que a polícia terá até o fim das investigações, o Poder Judiciário terá vastas informações", declarou o delegado. 

João de Deus deve ser ouvido novamente. 


“Vamos confrontar o que ele falou com as provas que temos e com os depoimentos colhidos e analisar tudo. 


Devemos ouvir ele uma segunda vez, mas primeiro precisamos fazer esses comparativos”, explicou. 

Com a prisão do médium, a Polícia Civil acredita que mais vítimas devem surgir. 


O delegado explicou que deve se encontrar nesta segunda-feira com o Ministério Público, que também montou uma força-tarefa para apurar os casos e já recebeu mais de 300 denúncias contra João de Deus.

MP e polícia recebem mais de 400 denúncias e investigam se João de Deus lavou dinheiro

Médium nega as acusações. Ele se entregou à Polícia Civil neste domingo em uma estrada de terra de Abadiânia.

 

Por Sílvio Túlio e Vitor Santana, G1 GO.
MP e polícia recebem mais de 400 denúncias e investigam se João de Deus lavou dinheiro
MP e polícia recebem mais de 400 denúncias e investigam se João de Deus lavou dinheiro.

O Ministério Público e a Polícia Civil informaram nesta segunda-feira (17) que receberam mais de 400 denúncias de mulheres que dizem ter sido abusadas por João de Deus em Abadiânia


O médium, que sempre negou as acusações, foi preso neste domingo (16). 


Além destes crimes, os órgãos também apuram se houve conivência de outras pessoas e denúncias de lavagem de dinheiro.
  • Ministério Público recebeu mais de 400 denúncias por e-mail
  • Das mulheres que denunciaram caso ao MP, 30 já formalizaram denúncia
  • Polícia Civil ouviu outras 15 mulheres
  • Há relatos de mulheres de seis países e vários estados brasileiros


O promotor Luciano Meirelles disse que há relatos de mulheres de mais da metade dos estados brasileiros e de países como EUA, Alemanha, Suíça e Bolívia. 


"Temos depoimentos do Brasil inteiro, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais. 


Esses relatos já foram formalizados", declarou.
João de Deus chega a delegacia após se entregar — Foto: Reuters/Metropoles/Igo Estrela
João de Deus chega a delegacia após se entregar — Foto: Reuters/Metropoles/Igo Estrela.

Já o delegado-geral da Polícia Civil, André Fernandes, afirmou que a corporação já ouviu 15 mulheres que relatam ter sofrido abusos sexuais do médium. 


Ele disse acreditar que o número vai crescer a partir da parceria com o MP. 

"É muito dinâmico. 


O MP vai contribuir com várias informações que foram colhidas por eles e serão enviadas para a polícia. 


Esses dados precisarão de uma nova análise por parte da polícia investigativa", disse. 

A Polícia Civil declarou que o líder religioso será ouvido "quantas vezes for necessário" durante as apurações. 


Delegados e promotores que compõem as forças-tarefas que investigam os crimes se reuniram no período da tarde na Secretaria de Segurança Pública para compartilhar dados.  


Entenda os rumos da investigação.

 
Na primeira coletiva após o primeiro depoimento de João de Deus, o delegado-geral informou que os depoimentos colhidos pela Polícia Civil revelam um modus operandi comum, "uma igualdade de comportamento", o que chamou a atenção dos investigadores.

Segundo ele, "a palavra da vítima tem uma relevância muito grande" e que a corporação tem algumas provas que ainda são sigilosas. 


O delegado diz acreditar que não deve ocorrer acareação entre as vítimas e o médium, pois os depoimentos foram colhidos de maneira "bem completa".

Prisão

João de Deus teve a prisão decretada na sexta (14) a pedido da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO). 


No domingo, ele se entregou à polícia em uma estrada de terra em Abadiânia. 


Ele foi trazido para Goiânia e, após prestar depoimento, encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. 

O médium dormiu em uma cela de 16 m² no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. 


De acordo com a Diretoria-Geral de Adminisitração Penitenciária (DGAP), ele passou a noite bem, dormiu junto com outros três presos e comeu pão com manteiga e achocolatado nesta manhã. 


O órgão informou ainda que João de Deus está recebendo todos os medicamentos que ele faz uso contínuo. 

A defesa informou que o médium está abatido e passou a primeira noite em um colchão no chão

Depoimento.

 

O médium prestou depoimento durante três horas na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic), em Goiânia, totalizando sete páginas de respostas às perguntas dos delegados. 


Durante o interrogatório houve uma pane elétrica que causou uma interrupção breve. 

Na ocasião, João de Deus afirmou disse à Polícia Civil que, antes de as denúncias de abuso sexual virem à tona, foi ameaçado por um homem, por meio de uma ligação de celular. 


Além disso, negou os crimes e que tenha movimentado R$ 35 milhões nos últimos dias. 

Os delegados informaram que o preso ficou calmo durante o depoimento, com exceção do momento em que falou de uma vítima de quem se lembrava e ficou nervoso.
O médium João de Deus se entregou à Polícia Civil — Foto: Ernesto Rodrigues/Estadão Conteúdo
O médium João de Deus se entregou à Polícia Civil — Foto: Ernesto Rodrigues/Estadão Conteúdo.

Pedido de habeas corpus.

 

Segundo o advogado Alberto Toron, responsável pela defesa do médium o pedido de habeas corpus foi protocolado nesta segunda-feira (17). 


Em entrevista no domingo, ele citou como alternativas possíveis uma prisão domiciliar e o uso de tornozeleira eletrônica. 


Além disso, negou que tenha havido intenção de fuga.

Advogada diz que foi abusada por João de Deus na presença do pai, que não pôde ajudá-la: 'Eu chorava muito'


Ela diz ao Fantástico que, em 2008, foi vítima do médium durante sessão espiritual para tratar Síndrome do Pânico. Pai estava na mesma sala, mas de costas e rezando de olhos fechados. Caso chegou a tramitar na Justiça, mas João de Deus foi absolvido. Ele nega todas as acusações. 

 

Por Fantástico

Advogada denunciou médium João de Deus para a Justiça há dez anos
Advogada denunciou médium João de Deus para a Justiça há dez anos.


A advogada Camila Correia Ribeiro disse ao Fantástico que foi abusada por João de Deus durante um atendimento espiritual em Abadiânia, no Entorno do Distrito Federal. Veja o vídeo acima. 

 
Segundo ela, o crime ocorreu em 2008, em uma sala e seu pai estava presente, mas não pôde ajudá-la porque o médium pediu que ele virasse de costas, ficasse com os olhos fechados e rezasse. 



O caso chegou a tramitar na Justiça, mas o líder espiritual foi absolvido das acusações
João de Deus foi foi preso neste domingo (16), após se entregar à polícia. 



Ele nega todas as acusações. 


Veja abaixo o relato de Camila e do pai, Augustinho Bento Ribeiro: 

 

Camila: Meu nome é Camila. 

Sou de Belo Horizonte, fui até Abadiânia porque eu tinha na época a Síndrome do Pânico. 



Eu tinha dezesseis anos. 


27/08/2018. Eu fui com fé, eu fui eu e minha família. E ele [João de Deus] falou que o meu caso era grave, que eu tava quase morrendo. Que ele precisava me atender na sala dele, que ele ia me curar. Quando ele abriu a porta, ele falou assim: "o senhor vai entrar com ela?". Meu pai falou "vou, vou entrar".
Augustinho: Ele falou assim, "ó, pai, vira de costas, faça as suas orações". O tempo todo ele falava pra mim, "pai não abra os olhos". Sim, estava confiando... e só fazendo as minhas orações.
Camila: Falou comigo que eu ia ser curada. Que era pra eu rezar. Eu fiz isso e ele começou a passar a mão em mim. Passou no meu peito, na minha vagina, no meu bumbum. E eu tava confusa, sabe, eu não tava entendendo. Eu chorava muito. E ele falou assim: "calma, isso faz parte do tratamento, isso faz parte da cura".
Augustinho: Nela chorar, eu pensava que ela estava recebendo uma cura. Eu nunca podia imaginar que tava na mão de um bandido.
Camila: Quando ele pegou minha mão e colocou nele [pausa e chora] ... eu vi que tinha uma coisa errada, porque que ele tava fazendo aquilo? Eu não sabia. [Ele colocou minha mão] no órgão dele. Eu não conseguia falar... e não conseguia mexer, eu não... eu não conseguia falar nada. Não sei o porquê. [Meu pai] tava perto, muito perto, sabe?
Augustinho: Do meu lado e eu não pude fazer nada... É muito triste, é muito triste.
Camila: E quando cheguei em Belo Horizonte... eu ia o tempo todo no banheiro lavar a mão, esfregava, esfregava, eu tinha nojo. Coloquei fogo no meu vestido, na calcinha que eu tava vestida. Foi a hora que a minha mãe veio perguntar por que que eu tinha feito aquilo. Contei pra ela tudo que aconteceu. Minha mãe ficou arrasada. Contou para o meu pai.
Augustinho: Aí eu entrei em desespero. Minha filha do meu lado e eu não pude salvar ela? Foi onde que eu procurei uma delegacia no dia seguinte.
Camila: E fizemos uma denúncia contra ele.
Camila foi uma das primeiras mulheres que procuraram a Justiça para denunciar o médium por abusos, em 2008. Antes disso, outra jovem, de 16 anos, também de Minas Gerais, denunciou o médium, em 1980. Ela afirmou que foi assediada enquanto passava por atendimento no Centro Dom Inácio de Loyola. Ela desistiu de levar o caso adiante, mas Camila foi até o fim. 

Somente cinco anos depois da denúncia, em 2013, é que saiu a decisão da Justiça, absolvendo João de Deus da acusação. O processo foi arquivado. 

Camila: Eu fui ler a sentença agora há pouco tempo depois que toda a notícia apareceu. E eu fiquei como errada ainda, sabe? Dez anos! Ele ficou fazendo isso a mesma coisa. Dez anos! 

Quem julgou o caso foi a juíza Rosângela Rodrigues Santos. Ela entendeu, na época, que o médium não enganou Camila. Alegou ainda que o pai estava lá para ampará-la e poderia ter reagido. Por isso, absolveu João de Deus do crime de violação sexual mediante fraude. 

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) recorreu da decisão, mas o relator levantou dúvidas sobre o depoimento de Camila e João de Deus foi absolvido novamente, desta vez por "falta de provas". 

O magistrado que julgou o caso em segunda instância alegou que Camila tinha síndrome do pânico, que a doença causa crises súbitas e que os ataques deixam a pessoa incapacitada e com uma condição mental em que ela não consegue diferenciar fantasia de realidade. 

A psiquiatra Andrea Feijó de Mello discorda da explicação: "Um paciente com pânico no momento atual vai ter uma, digamos assim, quase que um delírio, uma criação de uma coisa fora da realidade? Não faz parte do quadro". 

Mesmo com mais de 330 denúncias, que começaram a ser feitas ser reveladas desde o último dia 7 pelo programa Conversa com Bial e pelo Jornal O Globo, o processo de Camila não cabe mais recurso e ele não pode ser reaberto. 

"É uma decisão definitiva e o fato de existirem novas provas ou de outras circunstâncias que fazem com que olhando pro passado o caso pudesse ser decidido de outra forma, isso do ponto de vista jurídico, é absolutamente irrelevante", afirma o professor de direito pena da USP, Alamiro Velludo.
Nem a juíza nem o relator quiseram comentar o caso.
Médium João de Deus foi preso após denúncias de abusos sexuais de mais de 330 mulheres  — Foto: Reprodução/site Casa de Dom Inácio
Médium João de Deus foi preso após denúncias de abusos sexuais de mais de 330 mulheres — Foto: Reprodução/site Casa de Dom Inácio.

Outra acusação.

 

Um ano após a sentença sair, em 2014, João de Deus foi novamente confrontado por acusação de crime sexual. Desta vez, na Austrália, conforme mostra uma reportagem especial exibida pelo programa local Sixty Minutes. 

Durante entrevista com o médium, o repórter australiano quer saber se está conversando com João ou com uma entidade, ao que ouve a resposta: "Com o João mesmo". 

A entrevista é interrompida pela tradutora logo no começo, quando o jornalista pergunta sobre o dinheiro cobrado dos frequentadores: "Isso é sobre dinheiro ou sobre milagres?" 

Logo em seguida, o repórter fala da acusação de assédio sexual contra João de Deus. 


O caso teria ocorrido nos Estados Unidos, em 2010, durante uma visita de João de Deus a um chamado "centro de cura", no Arizona. A vítima seria uma mulher colombiana. 

"A vítima afirma que João Ferreira pegou a mão dela e colocou em seus genitais. E tentou abaixar a saia dela. Você já atacou sexualmente alguma das suas seguidoras?", questiona o repórter. 

A tradutora de João se recusa a traduzir: "Alguém pode traduzir isso?". O médium se levanta e o repórter vai atrás: "Só queremos entender quem realmente você é". 

Uma tradutora da equipe australiana chega e traduz a pergunta diretamente: "Já houve algum assédio sexual do senhor?". 

O médium responde: "Da sua mãe".
Minutos depois da agressão verbal, João de Deus volta, solicitando ver a gravação da equipe: "Eu quero assistir". 

"Ele quer ver o que nós gravamos", afirma a tradutora. O repórter responde: "Não".
João diz que vai assistir. Ele pega no braço da tradutora e o repórter reclama: "Não, por favor, não faça isso". 

A reportagem acaba sem o médium responder ao jornalista. 

A defesa do médium nega todas as acusações. 

Espera por Justiça.

 

Camila aguarda agora a resposta da Justiça para os casos de tantas outras mulheres que acusam o médium.


Camila: Eu gritei por justiça lá atrás. 


Não me ouviram. 


Mas eles podem ouvir agora elas. [Porque resolveu falar agora?] Primeiro porque eu não preciso ter medo. 


Eu necessito mostrar para as pessoas que eu superei isso. 


Eu sou forte, eu escolhi o direito por isso. 


Eu luto pela justiça. 


Eu fui vítima há dez anos atrás, eu não sou mais hoje.