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terça-feira, novembro 22, 2016

MPF denuncia novamente ex-diretor da Petrobras por suspeita de corrupção

Segundo procuradores, Jorge Zelada redigiu relatório que justificou aditivo para beneficiar empresa. Pelo ato, ele recebeu US$ 3 milhões em propina.

Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da área Internacional da Petrobras, preso na 15ª fase da Operação Lava Jato (Foto: Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Estadão Conteúdo) 
 
O Ministério Público Federal, no Rio, denunciou o ex-diretor da Petrobras Jorge Zelada por corrupção e lavagem de dinheiro. 

Zelada é acusado por receber propina após beneficiar uma empresa no contrato da plataforma P-50. 

Pelo aditivo, o então diretor da Petrobras recebeu US$ 3 milhões na Suíça. 

A denúncia foi encaminhada, na sexta-feira (18) pelos procuradores Renato Oliveira, Daniela Sueira, Leonardo Freitas e Rodrigo Lines ao juiz Vítor Valpuesta, da 3ª Vara Federal Criminal, do Rio. 

O magistrado ainda analisa a documentação. 

De acordo com o MPF, em 2006, Jorge Zelada foi procurado pelos empresários Julio Faerman e Luís Eduardo Campos, representantes da empresa holandesa SBM, para obterem benefícios para a empresa Jurong Shipyard, que construía a plataforma P-50. 

A negociação junto ao diretor levou a empresa a ganhar um aditivo de US$ 67,5 milhões aos custos do contrato. 

Zelada elaborou o relatório que justificou esse valor do aditivo. 

"Zelada orientou Faerman e Luis Eduardo Campos quanto aos argumentos que a Petrobras aceitaria em questões como as versadas na negociação, auxiliando nos resultados obtidos contra a empresa que o empregava, tendo praticado ato de ofício no procedimento, em conflito de interesses, e violado dever funcional quando ocupava cargo de chefia", escrevem os procuradores na denúncia encaminhada à Justiça. 

Ainda segundo a investigação, por este aumento nos ganhos da empresa, Zelada recebeu propina na Suíça. 

Faerman e Campos, chamados dentro da Petrobras de Batman e Robin, por andarem sempre juntos, receberam US$ 5,5 milhões também no exterior. 

Em depoimentos à Justiça, Faerman e Campos confirmaram a história. 

"Essa foi uma negociação complicada que foi conduzida pelo Zelada em benefício da empresa", afirmou o procurador Renato Oliveira, um dos autores da denúncia. 

Jorge Zelada, Julio Faerman e Luís Campos já respondem a processo por suspeita de receberem propina para beneficiar a empresa holandesa SBM em contratos com a Petrobras. 

Zelada também responde a processos no âmbito da Lava Jato. 

O ex-diretor da Petrobras está preso em Curitiba. 

Se condenado por corrupção, Zelada pode pegar penas de dois a 12 anos de prisão, além de multa. 

Por lavagem de dinheiro, a prisão pode ser de três a dez anos de reclusão e multa.

O advogado Renato Ribeiro de Moraes, que defende Jorge Zelada, não retornou os contatos feitos pelo G1. 


O ex-diretor da Petrobras teve mais de 10 milhões de euros bloqueados em contas bancárias no exterior.

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