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terça-feira, outubro 25, 2016

Professor universitário diz em aula que palestrante da UnB é 'vagabunda'

Docente de RO criticou palestra sobre gênero ministrada por doutoranda.
Áudio da aula foi gravado por alunos e repercutiu nas redes sociais.

 

Toni Francis Do G1 RO
Alunos da Unir fizeram uma página em uma rede social para acompanhar o caso e todos os desdobramentos  (Foto: Tumblr/Reprodução)Alunos da Unir fizeram uma página em uma rede social para acompanhar o caso e todos os desdobramentos (Foto: Tumblr/Reprodução)


A gravação de uma aula de Direito da Universidade Federal de Rondônia (Unir) tem gerado polêmica nas redes sociais. 

Durante sua fala de cerca de doze minutos, o professor Samuel Milet utiliza várias expressões de baixo calão ao se referir à uma palestrante da Universidade de Brasília (UnB) que tratou sobre gênero e aborto durante a Semana de Direito que ocorreu no campus de Porto Velho. 

Um abaixo assinado pela responsabilização do docente já tem mais de seis mil assinaturas.

A palestra 'Por que é preciso falar de gênero no direito?', ministrada pela doutoranda Sinara Gumiere foi duramente criticada com termos como 'vagabunda' e 'bostinha', entre outros adjetivos considerados pelos alunos e manifestantes como misóginos, sexistas e machistas, pelo professor que é contra o posicionamento da palestrante sobre o assunto. 

A palestrante foi procurada pelo G1, mas até a publicação da reportagem não havia obtido retorno.

Em poucos dias o caso ganhou repercussão nacional. 

Débora Diniz, que é orientadora de Sinara no doutorado em Direito pela UnB, gravou um vídeo criticando a atitude do docente e exigindo que Milet peça desculpas públicas pelas palavras que ela classificou como 'violentas e ofensivas'.
 
O áudio da aula da última quinta-feira (20) circulou massivamente pela internet virando alvo de denúncias no Ministério Público Federal (MPF) e notas de repúdio de diversos órgãos e entidades a nível nacional.

Os comentários foram gravados por uma estudante do curso da Unir com permissão do professor, e encaminhados a vários órgãos, dentre eles a Comissão de Ética da Unir e o MPF. 

Por telefone, a assessoria do órgão informou ao G1 que a denúncia ainda não foi avaliada pelo promotor que deve apurar o caso.

Em nota divulgada na última segunda-feira (24), a Comissão de Ética da universidade disse que a questão foi debatida ainda na sexta-feira (21) e que a conduta do professor será tratada nos termos do artigo 2º, da Resolução nº 10 de 29 de setembro de 2008, da Comissão de Ética Pública. 

"Será apurada, de ofício ou mediante denúncia, fato ou conduta em desacordo com as normas éticas pertinentes".
Docente Samuel Milet da Unir está sendo criticado por ter usado palavras de baixo calão para se posicionar contra palestrante do DF (Foto: Reprodução/Facebook) 
Docente Samuel Milet da Unir está sendo criticado por ter usado palavras de baixo calão para se
posicionar contra palestrante do DF
(Foto: Reprodução/Facebook)


Por telefone, Samuel Milet disse ao G1 que autorizou a gravação, mas alega que o áudio está fora de contexto. 

Dizendo-se defensor da vida e da família, o professor explica que apenas posicionou-se contra a descriminalização do aborto e opinou contra a ideologia de gêneros.

"Vou me defender na medida que for necessário, até porque não cometi crime algum, mas apenas expus minha opinião, o que é inteiramente cabível numa democracia", salientou o docente. 

Ele gravou um vídeo e postou no seu perfil em uma rede social reiterando o posicionamento.

Os comentários ofensivos suscitaram uma série de críticas e viraram alvo de notas de repúdio e até de um abaixo assinado online pela responsabilização do professor que já tem mais de seis mil assinaturas nesta terça-feira (25). 

Um dia depois da gravação, o Centro Acadêmico de Direito 5 de Outubro se manifestou fazendo denúncia do caso à reitoria da Universidade, explicou Thaís Ferreira, uma das representantes do Centro Acadêmico.
Alunos da Unir fizeram abaixo assinado pedindo a responsabilização do professor pelas palavras de agressão proferidas contra a palestrante da UNB que veio à Rondônia falar sobre gênero (Foto: Avaaz/Reprodução)Alunos da Unir fizeram abaixo assinado pedindo a responsabilização do professor pelas palavras de agressão proferidas contra a palestrante da UNB que veio à Rondônia falar sobre gênero (Foto: Avaaz/Reprodução)


Manifestos contrários ao professor também foram emitidos pela Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Comissão da Mulher e Comissão da Diversidade Sexual da OAB de Rondônia, pela Federação Nacional de Estudantes de Direito, do Centro Acadêmico de Direito da Universidade de Brasília, pelo Grupo de Pesquisa e Extensão sobre Gêneros, Discursos e Comunicação na Amazônia Ocidental (Hibiscus-Unir-Vilhena), pelo Coletivo Feminista Maria-Cavaleira, pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade de Brasília, pela Defensoria Pública do Estado de Rondônia e pelo deputado federal Jean Wyllys do Partido Socialismo e Liberdade (PSL), do Rio de Janeiro. 

Todas as manifestações estão compiladas na rede social com o nome 'Isso não é Direito'.

O caso deve gerar novas discussões a partir das avaliações feitas pela Comissão de Ética da Unir e pelo MPF.

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