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terça-feira, outubro 25, 2016

PF liga codinome 'amigo' em planilhas da Lava Jato a Lula

Ex-presidente foi citado em indiciamento do ex-ministro Antonio Palocci.
Delegado diz que Lula recebeu R$ 8 milhões; defesa fala em perseguição.

 

Do G1 PR
Resultado de imagem para PF liga codinome 'amigo' em planilhas da Lava Jato a Lula 
Lula é investigado no âmbito da Operação Lava Jato (Foto: Reprodução: TV Globo)


A Polícia Federal (PF) ligou os codinomes "amigo", "amigo de meu pai" e "amigo de EO" – que aparecem em planilhas de pagamentos ilícitos apreendidas durante a Operação Lava Jato – ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Ainda de acordo com o delegado federal Filipe Pace, foram repassados R$ 8 milhões para "amigo".

A informação consta no indiciamento do ex-ministro Antonio Palocci, preso durante a 35ª fase da Operação Lava Jato.

Palocci foi indiciado nesta segunda-feira (24) por corrupção passiva outras cinco pessoas também foram indiciadas.  

O ex-ministro é suspeito de receber propina para agir em favor da Odebrecht dentro do governo federal.

Conforme a PF, os pagamentos a Lula começaram no fim de 2012 e se estenderam ao longo de 2013. 

A PF ainda diz que os pagamentos foram coordenados por Marcelo Bahia Odebrechet, ex-presidente da Odebrecht, e por Antonio Palocci.

De acordo com o delegado Filipe Pace, o dinheiro saiu de uma conta corrente mantida pela Odebrecht para pagamento de vantagens indevidas.

"A análise aprofundada da planilha 'POSICAO - ITALIANO 22 out 2013 em 25 nov.xls', no entanto, revelou que os pagamentos no total de R$ 8.000.000,00 foram debitados do 'saldo' da 'conta-corrente da propina' que correspondia ao agente identificado pelo codinome de AMIGO", afirmou Pace.


Conforme o relatório da Polícia Federal, Marcelo Bahia Odebrecht usava os termos "Amigo de meu pai" e "Amigo de EO" para se referir a Lula.

Já outras pessoas, ao conversar com Marcelo Bahia Odebrecht, usavam os apelidos "Amigo de seu pai" e "Amigo de EO".


Segundo a PF, um dos benefícios indevidos concedidos pela Odebrecht, descritos nas planilhas, foi a aquisição de um terreno para a construção de uma nova sede do Instituto Lula.

Embora o prédio não tenha sido erguido, o terreno foi efetivamente adquirido, afirma a polícia.

O Instituto Lula nega a acusação e diz que jamais teve outra sede ou recebeu qualquer terreno.

"Diante de documento da Operação Lava Jato que cita o Instituto Lula e uma suposta 'nova' sede, mais uma vez é importante destacar que desde que foi criado, em 2011, o Instituto Lula funciona em um sobrado adquirido em 1991 pelo antigo Instituto de Pesquisas do Trabalhador. 

No mesmo endereço funcionou, por mais de 15 anos, o Instituto Cidadania. 

Originalmente, era um imóvel residencial, semelhante a tantos outros no bairro Ipiranga, zona sul de São Paulo.

O Instituto Lula jamais teve outra sede ou recebeu qualquer terreno, por isso não tem sentido especular sobre esse tema. 

Todas as doações recebidas pelo Instituto foram devidamente declaradas e registradas e estão absolutamente dentro da lei", afirma o instituto, em nota.

A defesa da empreiteira de Marcelo Bahia Odebrecht afirmaram que não vão se manifestar.

Os advogados do ex-presidente Lula, Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira, afirmaram que não foram apresentadas provas e que existe uma perseguição política.  


Leia a nota na íntegra abaixo.

"Na falta de provas, usa-se da 'convicção' e de achismos. 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua esposa, a empresa de palestras LILS e sua família já tiveram suas vidas absolutamente devassadas pela Operação Lava-Jato - sigilo bancário, fiscal, telefônico e busca e apreensão - e tudo que foi encontrado está rigorosamente dentro da lei, afirmou o advogado.

No despacho de indiciamento, a Polícia Federal diz apesar dos indícios de que o “amigo”, citado nas planilhas é uma referência ao ex-presidente Lula, a apuração de responsabilidade criminal não cabe à autoridade policial responsável pelo indiciamento de Palocci.

“Muito embora haja respaldo probatório e coerência investigativa em se considerar que o 'AMIGO' das planilhas “POSICAO – ITALIANO310712MO.xls” e “POSICAO - ITALIANO 22 out 2013 em 25 nov.xls” faça referência a Luiz Inácio Lula da Silva, a apuração de responsabilidade criminal do ex-Presidente da República não compete ao núcleo investigativo do GT Lava Jato do qual esta Autoridade Policial faz parte”, diz um trecho do documento.

Nota da defesa de Lula
A Lava Jato não apresentou qualquer prova que possa dar sustentação às acusações formuladas contra Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo após ter promovido devassa em relação ao ex-Presidente, seus familiares, colaboradores, ao Instituto Lula e à empresa de palestras LILS. 


São, por isso, sem exceção, acusações frívolas, típicas do lawfare, ou seja, da manipulação das leis e dos procedimentos jurídicos para fins de perseguição política.

Neste caso, uma autoridade que não é a responsável pelas investigações em relação a Lula, emitiu sua "convicção", sem lastro, para atacar a honra e a reputação do ex-Presidente, repetindo o abuso praticado na coletiva realizada pelos Procuradores da Operação Lava Jato (14/9/2016), quando nosso cliente foi alvo de comentários sobre questões estranhas ao processo ali tratado. 

Tal posicionamento não pode, assim, ser tratado como oficial, mas tão somente como a indevida e inconsequente opinião de um membro da Polícia Federal, sem elemento algum para autorizar a conclusão de que Lula recebeu qualquer vantagem indevida. 

Todas as contas de Lula já foram analisadas pela Polícia Federal e nenhum valor ilegal foi identificado.

Cristiano Zanin Martins e Roberto Teixeira"

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