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Aproveitamento do caroço de açaí

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quarta-feira, agosto 10, 2016

ALERTA: OS LENÇÓIS FREÁTICOS ESTÃO SENDO CONTAMINADOS



Conheça os principais focos de contaminação das águas subterrâneas

Pior do que a poluição que a gente vê é a poluição que a gente não
vê. 


Assim a poluição dos lençóis freáticos é grave, aumenta
dia-a-dia e começa a preocupar. Motivo: a despoluição de um lençól
freático leva mais de 300 anos.

Além das atividades do homem, poluindo o meio ambiente -
principalmente as terras e as águas - causas naturais afetam as
águas subterrâneas, como a presença de teores de elementos químicos nocivos, oriundos de rochas armazenadoras ou dos aqüíferos.

O professor Aldo da Cunha Rebouças, do Centro de Pesquisas em Águas Subterrâneas, CEPAS, da USP, descobriu que e elevado flúor contido nas águas do Nordeste do Paraná e na região paulista de Águas da Prata, produz uma doença chamada fluorose, que provoca a destruição dos dentes em crianças e adultos, ao invés de protegê-los.

Também em São Paulo, em Ibirá, a presença de vanádio foi identificada pelo professor Nelson Elert nas águas da região.
 

Trata-se de um mineral cuja absorção causa má formação congênita em crianças.

A ação do homem

Os técnicos chamam de "causas antrópicas", quando as atividades
humanas é que provocam a contaminação das águas subterrâneas.


São diversas as formas de contaminação, envolvendo desde organismos patogênicos, até elementos químicos como os metais pesados - caso do mercúrio - e moléculas orgânicas e inorgânicas.

Todavia, conforme assinala o geólogo Luiz Amore, consultor técnico da OEA e da Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio Ambiente, a possibilidade dos contaminantes atingirem os poços
perfurados vai depender das características dos aquíferos,
particularmente as estruturas geológicas, a permeabilidade do solo, a transmissividade etc.

Amore sustenta que várias fontes poluidoras já foram estudadas, e
alguns casos são clássicos, "que longe de serem fenômenos isolados
podem estar ocorrendo em diversas regiões do país e com intensidades
diversas, infelizmente ainda pouco conhecidas".

Os maiores focos de poluição dos lençóis freáticos:

1 - Lixos e cemitérios

As águas subterrâneas localizadas nas proximidades dos grandes
lixões registram a presença de bactérias do grupo coliformes totais, fecais e estreptococos. 

Segundo o professor Alberto Pacheco, do CEPAS, são componentes orgânicos oriundos do chorume, que são substâncias sulfloradas, nitrogenadas e cloradas, com elevado teor de metais pesados, que fluem do lixo, se infiltram na terra e chegam aos aqüíferos.

As águas subterrâneas situadas nas vizinhanças dos cemitérios são
ainda mais atacadas. 


O professor Alberto Pacheco cita o exemplo dos cemitérios municipais de São Paulo. 

Águas coletadas nas suas proximidades revelaram a presença de índices elevados de coliformes fecais, estreptococos fecais, bactérias de diversas categorias,
Salmonella, elevados teores de nitratos e metais como alumínio,
cromo, cádmio, manganês, bário e chumbo.

Os cemitérios, que recebem continuamente milhares de corpos que se decompõem com o tempo, são autênticos fornecedores de contaminantes de largo espectro das águas subterrâneas das proximidades.


Águas que, via de regra, são consumidas pelas populações da periferia.

2 - Postos e fossas

Estudo de autoria do professor Aldo da Cunha Rebouças, também da
equipe do CEPAS, mostra a contaminação oriunda do vazamento de tanques de armazenamento subterrâneo de gasolina em poços de abastecimento de água em residências vizinhas. 


A água recolhida desses poços revelou elevados teores de benzeno e demais compostos orgânicos presentes na gasolina, como tolueno, xileno, etilbenzeno, C benzeno e naftaleno.

O professor adverte para o fato de que a combustão da gasolina é
auto detonante a 400 ppm (partes por milhão). 


Se esse combustível se
infiltrar em redes de esgoto e túneis de obras de engenharia, haverá risco real de explosões de grandes proporções.

A presença das fossas na condição de contaminantes dos aqüíferos foi
estudada no Vale do Paraíba do Sul, em São Paulo, pelo professor
Uriel Duarte, da equipe do CEPAS, e em São Luís, no Maranhão, pelo
professor Waldir Duarte da Costa, da Universidade Federal de
Pernambuco.

Eles concluíram que a construção e operação de poços de abastecimento d'água, próximos a fossas em zonas urbanas e ruraiss,
pode levar à contaminação da água por patogênicos gerais e
substâncias orgânicas diversas, transmitindo doenças a quem utiliza e consome a água.


Preocupada com o problema, a Organização Panamericana de Saúde - OPAS - recomenda que essas fossas devem ser construídas a uma distância mínima de 20 metros, ou ainda mais, dependendo das condições intrínsecas do aqüífero, em especial apermeabilidade do
terreno.

Ocorre que essa recomendação dificilmente é levada em conta,
especialmente na periferia das grandes cidades, onde o favelamento reduz o espaço útil dos quintais dos casebres, levando seus
habitantes a construírem a fossa e cavarem o poço praticamente lado
a lado.


3 - Agrotóxicos e fertilizantes


Resíduos de agrotóxicos foram encontrados em animais domésticos e seres humanos que utilizaram águas subterrâneas contaminadas por agrotóxicos em Campinas, São Paulo.


O professor Ricardo Hirata, da equipe do CEPAS, autor da descoberta, diz que a contaminação resultou tanto de substâncias aplicadas incorretamente na plantação, como oriunda de embalagens enterradas
com resíduos de defensivos agrícolas. 


Em ambos os casos houve a
infiltração e o acesso dos agrotóxicos aos aqüíferos.

O uso indevido de fertilizantes também afeta as águas subterrâneas. 


Segundo o professor Aldo Rebouças, substâncias fosforadas e
nitrogenadas, que provocam a doença azul em crianças, podem acessar os sistemas aqüíferos, com a desvantagem de que são de difícil
remoção.


Na região de Novo Horizonte, em São Paulo, centro produtor de cana
de açúcar, a aplicação de vinhaça resultante da destilação do
álcool, como fertilizante, provocou a elevação do pH (índice de
acidez)e conseqüente remoção do alumínio e ferro do solo, que foram
se misturar às águas subterrâneas.


Os aqüíferos também são contaminados pela disposição irregular de efluentes de curtumes no solo, fato observado pelo professor Nelson Elert nos centros produtores de calçados de Franca e Fernandópolis, em São Paulo. 


Segundo ele, os resíduos de curtume dispostos no solo provocam a entrada de Cromo 6 e de organoclorados, afetando a
qualidade dos lençóis subterrâneos.


4 - Rejeitos e aterros industriais


As águas subterrâneas de Cubatão, em São Paulo, considerada a cidade
mais poluída do Brasil, não podiam escapar à ação dos contaminantes.
 

A técnica Dorothy Casarini, da Cetesb, a agência ambiental do
governo paulista, diz que aterros não controlados por indústrias
químicas da região resultaram em mortes e contaminação carcinogênica (através do câncer) inclusive no leite materno.

No caso de Cubatão, o agente contaminante foi o Bifenilas
Policloradas (PCB), cujos rejeitos, depositados no solo sem qualquer
tratamento, se infiltraram e danificaram as águas subterrâneas.

Em Minas Gerais, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e em Campinas, São Paulo, a proximidade de aterros industriais
clandestinos está contaminando as águas por resíduos industriais ou
pela presença de atividades mineradoras.

Nos dois casos, o professor Paulo Scudino, da CETEC-MG, e a
especialista Dorothy Casarini, da CETESB-SP, identificaram nas águas
subterrâneas das duas regiões a presença de diversos metais pesados e hidrocarbonetos que, uma vez ingressando no corpo humano, lá ficam depositados para o resto da vida.

5 - Rebaixamento do lençol freático

Segundo o geólogo Luiz Amore, a exploração excessiva dos aqüíferos
pode ocasionar não só o desperdício de água, mas, o que é pior, a contaminação dos postos de abastecimento por migração de águas situadas nas suas proximidades.

Há, também, casos em que a devastação da cobertura vegetal em áreas de recarga dos aqüíferos resulta no rebaixamento do lençol das águas subterrâneas e conseqüente redução das disponibilidades hídricas da bacia.

O caso mais expressivo é o relatado pelo técnico pernambucano Waldir
Duarte da Costa: o bombeamento excessivo de águas subterrâneas para o abastecimento público do elegante bairro de Boa Viagem, em Recife, resultou na infiltração de água do mar no sistema de água potável.

Em Cubatão houve o mesmo fenômeno, resultante da utilização
excessiva de águas subterrâneas para fins industriais. 


O lençol foi baixando até ser invadido por água salgada.

Efeitos danosos da superexploração também foram registrados na
barragem do Descoberto, em Águas Lindas, estado de Goiás. 


Segundo o professor Elói Campos, da Universidade de Brasília, alguns poços na área de recarga reduziram significativamente a disponibilidade
hídrica, a ponto de secar poços à jusante da barragem.

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